Orlas suburbanas

Banhadas pelas baías de Sepetiba e da Guanabara, as praias das zonas norte e oeste ficavam lotadas nos dias quentes

Por O Dia

Praia de Sepetiba nos anos 60
Praia de Sepetiba nos anos 60 -

Se conversar com os mais velhos da sua família, eles podem te confirmar: morar nos subúrbios e ir à praia significava ir ali mesmo, nas orlas suburbanas. Banhadas pelas baías de Sepetiba e da Guanabara, as praias das zonas Norte e Oeste ficavam lotadas nos dias quentes. E coloca tempo nisso, já que hoje essas mesmas águas estão poluídas.

Na Zona Norte, as praias da Ilha do Governador, Ramos e Maria Angu, por exemplo, atendiam a população da região. Margeando a Avenida Brasil, conta minha mãe que o desafio para frequentá-las com meus avós, tios e tias, quando eram criança, passava por atravessar a via expressa em família; saíam do IAPI da Penha a pé rumo às areias de Ramos.

Na Zona Oeste, posso contar que ainda peguei, no início dos anos 90, as viagens da família do meu lado paterno à casa que meu avô tinha em Sepetiba. O auge era se banhar na Praia do Recôncavo. Ali próximo, Dona Luiza, ainda no bairro, e em Guaratiba, a Praia da Brisa, hoje sob mira da especulação imobiliária legal e ilegal.

Meu amigo arquiteto e urbanista, Rodrigo Bertamé, em sua pesquisa de mestrado calculou a orla suburbana: a extensão abrange as baías da Guanabara, de Sepetiba e Paquetá, totalizando quase 45km de extensão. Já a faixa de areia da "Cidade Maravilhosa", do Centro a Grumari, chega perto dos 40km.

Bertamé não só comprova os números baseado em dados, como também prova a deficiência dos governos que ocuparam a prefeitura do Rio até aqui quando o assunto é subúrbio. Tais números expostos deixam claro o quanto nunca foi da vontade política dessas gestões que os suburbanos e as suburbanas realmente desfrutassem daquilo que faz o nome do Rio para o mundo: a praia.

Em busca de mais praia

Faixa de areia lotada na Praia de Ramos, em 1972 - Reprodução

A Região dos Lagos e a Costa Verde aparecem como opções nesta época para aqueles que querem "viajar". E em uma demonstração de situação financeira (quase) boa, a classe média suburbana faz o trajeto que pode demorar horas nos engarrafamentos das estradas para curtir o verão em outros municípios praianos. Parece estranho, mas não é: sair do Rio em busca de praia é um status a ser ostentado. E se a desculpa é sobre ver gente nova, há quem se engane, pois muitas dessas cidades acabam sendo a "cidade do oi" durante o verão e, principalmente, o Carnaval...

Falando sobre Carnaval...

Os 50 dias de festa prometidos pela prefeitura já começaram com a força - e bombando, literalmente - com o Bloco da Favorita, em Copacabana. E isso me faz lembrar que tenho saudades dos bloquinhos de bairro. Cresci no IAPI da Penha, onde vi bate-bolas, clóvis e também Passa Régua, Baluarte do Zumbi e Chora Neném, na Praça Santa Emiliana.

Aliás, a participação da minha família no Passa Régua era constante: meu tio foi compositor e minha tia, por várias vezes, foi porta-bandeira. Sem contar os membros das baterias; até meu pai tocava em uma delas.

Bloco de bairro representam mais o Rio do que megablocos!

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