Dos subúrbios do Rio à Antuérpia, Guilherme Paraense

Quem hoje passa pela Rua Cachambi, no Méier, nem deve imaginar que ali morou uma figura histórica, conhecido na vizinhança como coronel Paraense

Por O Dia

cartaz olimpíadas Antuérpia
cartaz olimpíadas Antuérpia -
Rio - Esta semana é de grande importância para o esporte nacional: Guilherme Paraense, então tenente do Exército Brasileiro e atleta de Tiro Esportivo do Fluminense, conquistava, na estreia do Brasil em Olimpíadas, nossa primeira medalha de ouro, no dia 3 de Agosto de 1920.

Sou suspeito em escrever com certo afeto sobre estes 100 anos de um episódio de nossa história, afinal faço parte da família Paraense pela parte paterna. Seu filho, Guilherme Paraense Filho, avô de meu pai, viveu no IAPI da Penha, onde cresci. E do velho coronel Paraense só vi fotos e ouvi algumas histórias contadas por sua neta, minha avó Marlene. O que sei hoje sobre essa parte da minha família que se confunde com a história do Brasil é por minha curiosidade enquanto historiador.
Foi através disso, por exemplo, que descobri que Guilherme Paraense colecionou campeonatos nacionais de Tiro Esportivo entre das décadas de 1910 e 20, e que também foi campeão sul-americano em 1922, pelo São Cristóvão.

A trajetória da equipe da qual Guilherme Paraense fazia parte, desde a saída do Brasil até a chegada na Bélgica, onde seriam realizados os jogos, na cidade de Antuérpia, é repleta de contratempos e perrengues. O mais emblemático é que Paraense conquistou a medalha de ouro com o revólver emprestado, já que seu material fora roubado no decorrer da viagem de navio. O norte-americano Raymond Bracken, quem o emprestou o objeto, acabou ficando com a prata por dois pontos de diferença.

Guilherme Paraense morreu aos 83 anos, vítima de infarto, no dia 18 de abril de 1968 e ainda é o único competidor brasileiro a ter ganho uma medalha de ouro no tiro esportivo em olimpíadas.

Uma data para ser lembrada e valorizada pelos amantes do esporte e, sem dúvidas, dos subúrbios cariocas!





Paraense com Getúlio

guilherme paraense - Divulgação
Nas salas de aula, aprendemos sobre o fato histórico que levou Getúlio Vargas ao poder, em 1930. Vargas chegava ao governo do Brasil e ficaria até 1945 após os desenrolos e conflitos de eleições que deram a vitória a Júlio Prestes. O evento, chamado “Revolução de 1930”, colocaria fim à chamada Primeira República. E lá estava Guilherme Paraense, já capitão, comandando seus homens do lado da Revolução. Paraense atuou com seu destacamento impedindo a passagem das tropas do governo federal pelo túnel de Botafogo. Ao longo dos anos 30, foi condecorado pelo presidente Vargas. Em 1941, foi para a reserva, já como tenente-coronel.

Homenagens ao Tenente-Coronel

Além de clubes tiro pelo Brasil, Guilherme Paraense dá nome ao Polígono de Tiro Esportivo da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no RJ. Por aqui também foi construído para receber competições esportivas durante os Jogos Pan-americanos de 2007 o Centro Militar de Tiro Esportivo Guilherme Paraense. Em Belém, sua terra natal, a Lei 7.850 de 17 de Outubro de 1997, leva seu nome e incentiva a cultura e o esporte, assim como um ginásio. Seu revólver e a medalha de ouro estão de posse da família. Antes de sua morte, Paraense deixou com sua filha Oyses a missão de guardar tais símbolos.

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