Subúrbios em alerta: a Covid-19 não é apenas um gripezinha!

Clausura é uma das orientações de prevenção. Para nós, cariocas, acostumados a contato físico é esforço que quebra a lógica de nossa cultura

Por O Dia

Muitos idosos mantêm a sua rotina de carteado na pracinha, ida à padaria ou passeio com a gaiola sem levar em conta o risco de contrair coronavírus
Muitos idosos mantêm a sua rotina de carteado na pracinha, ida à padaria ou passeio com a gaiola sem levar em conta o risco de contrair coronavírus -
Rio - No momento em que vocês estão lendo esta coluna, o prefeito Marcelo Crivella determinou o fechamento do comércio no Rio de Janeiro. O motivo desta atitude todos nós já sabemos e concordamos, sendo opositores ou não. A Covid-19 não é uma simples gripezinha como uns e outros políticos - inconsequentes e aparentemente incapazes de ocuparem seus cargos - disseram. Os casos de transmissão do novo coronavírus no Rio de Janeiro já assustam. No mundo, as mortes causadas por esse vírus altamente contagioso aumentam dia após dia.
A clausura é uma das orientações oficiais de prevenção. Para nós, cariocas, acostumados a contato físico – mesmo que forçados em transportes lotados -, é um esforço que quebra a lógica de nossa cultura.
No grupo de risco, entre portadores de doenças crônicas, estão idosos. Mas parece que para muitos deles estamos vivendo dias normais. Muitos acabam levando mais a sério notícias falsas difundidas por correntes de WhatsApp e em postagens de redes sociais, seguindo sua rotina de carteado na pracinha, ida à padaria ou passeio com a gaiola.
Algumas famílias apelaram por “fake news do bem”, dizendo que o governo está retirando a aposentadoria do idoso que sair de casa.
Entretanto, nem tudo é só desgraça: mesmo diante de tanta desinformação difundida por criminosos, existem diversas correntes de solidariedade e manifestações de retorno à uma consciência para o que interessa e para o que nos une.

Trabalhadores suburbanos em risco

Essa semana que passou foi o início das movimentações de prevenção e medidas drásticas, com as autoridades decretando o fechamento de estradas, estabelecimentos, ruas e praias da cidade. Mas algumas rotinas de trabalho continuaram: recebi diversas denúncias sobre empresas de telemarketing que simplesmente ignoraram os avisos de aglomerar pessoas.
Uma grande, com sede em Madureira e Campo Grande, segue sua rotina de salas lotadas de atendentes, com prevenção precária e com direito a supervisora dizendo que não poderia fazer nada…

As maiores vítimas, diretas e indiretas

Alguns casos já rondam os subúrbios. Em diversos pontos da capital e da Região Metropolitana, pessoas não têm água há mais de um mês para fazer a higiene recomendada; profissionais autônomos e na informalidade não sabem como pagarão as contas. O epicentro da propagação na cidade vem das orlas, já que é onde moram aqueles que têm condição de viajar para o exterior. Aqui, onde muito mal se tem dinheiro para ir de um bairro a outro, nos tornamos vítimas dos abastados, ricos e emergentes, que só dividem conosco os prejuízos.

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