Baías vivas: meta pro lazer nos subúrbios

Nesta onda necessária de isolamento social, a Baía da Guanabara se mostrou viva

Por O Dia

coluna suburbano 5 de maio
coluna suburbano 5 de maio -
Rio - Algumas colunas atrás falei sobre as praias suburbanas. Coloquei na mesa o fato de que a extensão de praias nas baías de Sepetiba e da Guanabara são, só no Município do Rio, cerca de cinco quilômetros maiores do que a faixa de praias “do Leme ao Pontal”. E me pego surpreso, e grato, por notícias que falam sobre o aparecimento de um tubarão-baleia, próximo a Niterói. O animal, que pode pesar até 12 toneladas, foi atrás de pescadores que trabalhavam enquanto subiam sua rede, próximo à Ilha Mãe, na altura de Itacoatiara.

E com a diminuição do fluxo de transportes marítimos por conta da quarentena, deu resultado há cerca de um mês atrás também em Magé. O registro foi feito na praia de Mauá pelo meu querido amigo Valcir Pinheiro, administrador da página Santo Aleixo da Depressão.

Nesta onda necessária de isolamento social, a Baía da Guanabara se mostrou viva. E sua importância para o lazer dos moradores de sua orla, na Zona Norte da capital, é lembrada pelos mais velhos quando contam sobre os banhos nostálgicos nas praias de Ramos e da Ilha do Governador.

Em uma cidade cujos moradores cresceram com o estigma de praieiros, a maioria da população mora bem distante das principais praias. Os cartões-postais não estão acessíveis a todos. E as praias que temos nos subúrbios, de norte à oeste, não estão disponíveis para que sejamos realmente um povo que ama a praia.

E não precisa ser doutor para entender o por quê de as orlas suburbanas não chamarem atenção. Afinal, os grandes figurões da produção social e cultural carioca, presidentes, diretores e editores chefes da grande mídia, escritores, artistas e tal panelinha não moram em Sepetiba ou na Penha…

E o ar que respiramos?

Imagens de satélite do início do mês de abril registraram a diminuição da poluição em São Paulo e no Rio. Entretanto, também registrou que persistiu a concentração de uma pequena mancha nos subúrbios da Zona Norte carioca. E há uma explicação: a região tem cerca de 83% de sua área ocupada por algum tipo de construção; 62% dessa área é residencial, o que a torna a mais residencial da cidade. Em 2016, a ONG Rio Como Somos divulgou Ramos como sendo o bairro da cidade com o maior número de internações por infecção respiratória. Ou seja, menos áreas verdes, mais poluição.

Bairros verdes

São também dessa região coletivos de moradores e simpatizantes do lugar: Olaria Verde e Penha Verde têm como objetivo incentivar uma vizinhança e um ambiente mais verde por meio da gestão do manejo correto da floresta urbana. O Penha Verde, por exemplo, foi criado em 2011. Com o crescimento do coletivo, conseguiu efetivar doações para a manutenção de mudas e árvores locais. E nesse trabalho importantíssimo capacitam seus colaboradores para atuarem de forma técnica para que, indiretamente, cuidem da saúde ambiental de mais de 200 mil moradores.

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