Suburbanos comemoram o mêsversário do Auxílio "Emergencial"

É tanta análise que muitos já se sentem em um divã, contando suas desilusões a um psiquiatra

Por O Dia

 João Paulo Nunes fez bolo de um mês de espera pelo auxílio emergencial
João Paulo Nunes fez bolo de um mês de espera pelo auxílio emergencial -
Rio - Não é aquela confraternização costumeira, com crianças correndo, som alto, caixas de cerveja, parentes discutindo e fartura de salgadinhos. Muito menos é uma festa parcelada, com direito a buffet, DJ e arco de bolas no salão recém-inaugurado do bairro. É uma simples comemoração que, além de atender as recomendações de isolamento, ninguém gostaria que fosse verdade a ponto de ter orgulho de expôr, mas acaba que é preciso rir para não chorar.

O que antes seria R$ 200 por parte do próprio governo federal virou R$ 600 para muitos, R$ 1.200 para outros tantos, mas milhões ainda ficaram na análise. É tanta análise que muitos já se sentem em um divã, contando suas desilusões a um psiquiatra.

Para quem vai a primeira fatia desse bolo? São 12 milhões que ainda nem sentiram o cheiro desse dinheiro. Foi o caso de suburbanos cariocas como o João Paulo Nunes, do Engenho Novo, que me mandou essa foto e aproveitou a situação para fazer o seu protesto bem humorado. E ele não foi o único: muitas outras pessoas embarcaram nessa ideia e fizeram seu bolo caseiro, colocaram as plaquinhas temáticas e mandaram ver nas imagens.

Podemos perceber que, mesmo com a diminuição da renda, as contas que precisam estar em dia, ou já desconhecem o calendário, não sufocaram a capacidade suburbana carioca de criação e do deboche.

E o próprio presidente, brincando mais que a brincadeira, em um de seus pronunciamentos ao vivo pela internet, deu o laudo: é uma “minoria barulhenta” esses que estão reclamando. Cidadãos e cidadãs brasileiras, contribuintes que pagam seus salários e mordomias, diagnosticados com uma enfermidade inventada por um “doutor” perdido na noção de suas atribuições de liderança.



"Lockdown" ou Tranca Rua?

E nessa onda de “fecha, não fecha” em que governador e prefeito estão surfando, a palavra “lockdown” (em inglês, fechamento total ou confinamento) entrou no cotidiano do carioca e já virou íntima o suficiente para ser zoada: no mais literal carioquês, Tranca Rua. Muitos disseram que não precisava importar a palavra, já que apelar para a entidade de Umbanda seria a medida necessária, pois aí sim ninguém mais decidiria sair de casa; ninguém gostaria de tomar uma chamada do homem com sua indumentária preto e vermelha, trajando capa e cartola, na primeira encruzilhada pela qual passasse. Será para esse o lockdown que o prefeito Marcelo Crivella, reconhecidamente evangélico, terá que apelar?



Dia das Mães pelo celular

Depois da Páscoa, o último domingo foi mais um em que os beijos e abraços, fofocas e novidades, ocorreram pelas redes sociais e chamadas de vídeo. Não tivemos o tradicional almoço em família ou as filas enormes em restaurantes, pois foi preciso que os conscientes fizessem sua parte em mais uma data comemorativa que tivemos que nos esforçar para que possamos nos encontrar no futuro. Deixamos acumulados presentes e as vontades de lavagem de roupa suja em pleno almoço para o pós-quarentena...

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