40 estudantes participaram da atividade de campo Divulgação

Volta Redonda - No último sábado, dia 30, aconteceu uma atividade de campo que faz parte do projeto ‘Um Olhar para o Rio Paraíba do Sul e descobertas’. A iniciativa envolve educadores de um curso de arquitetura e urbanismo e também do curso Pré-Vestibular Cidadão do Movimento Ética na Política de Volta Redonda (MEP -VR).
A ação envolveu 40 estudantes que orientados pelos professores realizaram o trabalho de observação na Beira-Rio. Durante o percurso de 2 km, os alunos observaram e analisaram vários aspectos a partir da preleção sobre história do povoado. Eles observaram, a mata ciliar, as estruturas das pontes, as construções, o esgoto in natura, tipo de árvores, a ciclovia, a curva do rio e a sua ‘geobiodiversidade’.
“Devido ao tempo nublado, o percurso foi alterado. Iniciamos na Praça da Igreja Santo Antônio, bairro Niterói, lugar histórico de Volta Redonda, e depois seguimos caminhando e observando os múltiplos cenários do rio Paraíba, pela da Beira Rio até o bairro Vila Mury”, disse a arquiteta e professora, Renata Fortini.
40 estudantes participaram da atividade de campo  - Divulgação
40 estudantes participaram da atividade de campo Divulgação
A futura urbanista, Ana Letícia Ramos, comentou que ficou impactada com o que viu e falou sobre a experiência que oportunizou novos olhares e atitudes para o ‘ser vivo’, o Rio Paraíba do Sul.
“Acredito, o olhar cidadão para rio é muito importante, a gente ter a visão do rio e a sua ligação com as pessoas faz a diferença. Como futura urbanista, compreender a relação, entender como ele (rio) se dá na cidade, como surgiu, se comporta é espetacular. O clima, as vegetações, as estruturas construídas, os resíduos... Provocam em nós olhar o rio como um ser vivo, e que precisa ser cuidado”, relatou a estudante.
O biólogo e subcoordenador da Equipe Socioambiental do MEP, Michel Bastos, destacou os aspectos relacionados a biodiversidade do rio.
“Estudo, conheço o rio, sei das suas potencialidades e das agressões a esse ser. O tempo que trabalhei no INEA, já batia na questão das urgências no que diz respeito ao respeitar e cuidar do Rio Paraíba e seus afluentes: degradação, poluição, contaminações diversas, assoreamento, esgoto jogado na água que bebemos. Agora estamos aqui, a crise climática associada a outras crises, até civilizacional, exige que o cuidado começa agora, e já! Não podemos esperar mais. O rio não vai suportar e nem nós”, ressaltou Michel.
O geólogo e membro da equipe do MEP, Mateus Henrique, falou sobre a dinâmica do Rio Paraíba do Sul e como o mesmo se configurou mediante à geologia local, sendo um fator importante que originou o nome do município de Volta Redonda.
“Há uma dinâmica comportamental do rio a partir da geologia. A curva do rio está ligada à geologia uma vez que as falhas e microfalhas existentes condicionaram a direção do Paraíba do Sul. Destaco, a Pedreira da Voldac, (objeto de estudo da minha conclusão de curso) por estar inserida nesse contexto, onde a sua localização está numa borda de falha que serve de anteparo para o Rio Paraíba do Sul, fazendo com que a curva final da "volta redonda" que o rio faz chegasse a quase 90°, mostrando que a geodiversidade vai além dos elementos Geológicos presentes ali, mas sim tem um valor cultural associado, visto a relação dessa curva com o nome da cidade. Tudo isto é muito importante trazer para o conhecimento das pessoas e incorporar tais espaços em suas vidas”, explicou o geólogo.
A professora Renata informou que os estudantes a partir da atividade, irão realizar algumas entrevistas de campo para concluir seus relatórios.
“O próximo passo é dar seguimento com as entrevistas, inclusive com outros alunos do MEP, e assim fechar os relatórios e em junho realizarmos um seminário aberto a todos”, disse Renata.