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Publicado 03/11/2017 19:38 | Atualizado há 3 anos

Os guardas municipais do Rio, Marco Antônio e Antônio Marcos do Carmo, de 50 anos, são gêmeos, e, no dia a dia, se envolvem em diversas situações inusitadas. Eles fazem parte de um tipo de população que está se multiplicando com rapidez. Só na última década, o aumento foi de 30% em parte de Região Sudeste. Mas quantos eles são no total, sobretudo no eixo Rio-São Paulo? É o que vai revelar pesquisa inédita no país, em fase de finalização pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). O objetivo é criar o Cadastro Nacional de Gêmeos para incentivar mais pesquisas de comportamento, entre outros aspectos psicológicos dessa população.

Um estudo preliminar da USP já havia indicado que a incidência de gêmeos, só no estado paulista, tinha saltado de 10 em cada mil bebês trazidos à luz para 13 a cada mil nascidos, de 2003 a 2013. Segundo especialistas, o mesmo percentual pode ser aplicado a outros estados, especialmente o Rio, pela proximidade territorial.

A ginecologista e obstetra carioca Juliana Risso, 41, especializada em fertilidade, explica que a proliferação de partos múltiplos é uma tendência crescente. Ela mesma, por coincidência, casada com ortopedista Antônio Alves, da mesma idade, é mãe dos gêmeos Bernardo e Carlos Eduardo, de 6 anos, caçulas de Sara, de 8. Uma das hipóteses para justificar o 'boom' de partos gemelares é a modernidade.

"As mulheres hoje são mais independentes, com maior poder aquisitivo e formação profissional, postergando, com isso, a maternidade. Deixando para ser mães com idades mais avançadas e recorrem a técnicas de reproduções assistidas. Isso faz com que as chances de gestações gemelares aumentem".

Tânia Lucci, do Departamento de Psicologia Experimental da USP, é uma das auxiliares da professora Emma Otta, coordenadora da pesquisa nacional. "Temos várias fontes, como cartórios e internet, através do Painel USP de Gêmeos", disse Tânia. Gêmeos ou parentes podem enviar dados pelo site www5.usp.br. No primeiro estudo, constatou-se que quanto mais elevada a classe social, que dispõe de mais recursos para tratamentos, maior a chance de nascimentos de gêmeos.

Um dos elementos que confirmou esta hipótese foi o alto percentual de gêmeos nascidos no Hospital Albert Einstein. Em dez anos, houve registro de 17 a 29 gêmeos em mil nascimentos, enquanto que nos hospitais públicos a taxa variou entre 7 a 11 por mil. Outro fator que chamou a atenção foi a idade materna. Mulheres com mais de 35 anos têm mais chances de gestação múltipla dizigótica, quando há formação do embrião a partir de dois óvulos e de dois espermas separados, o que pode resultar em casal de gêmeos. Já quando há maternidade em torno dos 24 anos, o número de gravidez monozigótica (bebês idênticos e do mesmo sexo) e dizigótica é relativamente igual.

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