Em nota, Beltrame repudia ação dos PMs que arrastaram mulher em viatura

Novo protesto voltou a fechar a Avenida Ministro Edgard Romero após sepultamento de Cláudia Ferreira

Por O Dia

Rio - O secretário de Segurança do Rio José Mariano Beltrame disse, em nota, que "repudia a conduta dos policiais, que já estão presos. Um Inquérito Policial Militar foi instaurado e a Polícia Civil também investiga o caso". Os policiais estão envolvidos na morte da auxiliar de serviços gerais Cláudia Silva Ferreira, de 38 anos, baleada durante confronto entre policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e traficantes do Morro da Congonha, em Madureira, na Zona Norte, neste domingo. 

Claudia foi baleada e depois arrastada pela viatura da PM por mais de 200 metros na Intendente MagalhãesReprodução

Na tarde desta segunda-feira, a polícia divulgou o nome dos cinco policiais, dentro eles, três já foram autuados. Os sub-tenentes Rodney Miguel Archanjo e Adir Serrano Machado e o sargento Alex Sandro da Silva Alves foram presos por não cumprirem as regras militares que regulam o resgate de vítima. De acordo com populares, a moradora foi posta dentro do porta-malas da viatura da PM, ao invés do banco de trás; rolou para fora do veículo e ficou pendurada no para-choque do carro apenas por um pedaço de roupa. O corpo da mulher foi arrastado pelo asfalto por mais de 200 metros. 

O 1º tenente Rodrigo Medeiros Boaventura e o 2º sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno, que faziam parte da guarnição, estão sendo investigados e responderão a inquérito policial.

Uma perícia será feita na viatura pelo Centro de Criminalística da PM. O caso está sendo investigado pela 29ª DP (Madureira) e pela 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Em nota, o comando da Polícia Militar informou "que este tipo de conduta não condiz com um dos principais valores da corporação, que é a preservação da vida e dignidade humana".

O porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudio Costa, também lamentou a ação dos PMs e garante que eles serão responsabilizados."Os policiais estão sendo autuados e vão responder por suas atitudes. No mínimo alguém deveria estar amparando a vítima no banco de trás", afirma.

Marido de mulher arrastada por PMs pede que a Justiça seja feita

O marido de Cláudia Ferreira da Silva, Alexandre Fernandes da Silva questionou a ação dos PMs quando tentavam socorrer a vítima."Foi um descaso que eles fizeram, jogaram ela que nem bicho dentro do carro e saíram. Eu não consigo entender o motivo deles tê-la levado pela Intendente Magalhães, se lá não é o caminho mais próximo para o Carlos Chagas (hospital em Marechal Hermes para aonde Cláudia foi levada). Queremos que a justiça seja feita", disse Alexandre.

"Nem o pior traficante deve ser tratado assim. As pessoas a viram sendo carregada pelos PMs, agonizando", afirma o marido de Cláudia, lembrando que o casal de filhos gêmeos completará 10 anos no próximo domingo. "E esse é o presente que deram a eles (filhos)".

Irmão de Cláudia, Júlio César Silva Ferreira, 42 anos, garante que a família processará o Estado. "A família está toda desestruturada. Todo dia é isso que a gente vê, essa injustiça da PM matando inocente. Vamos processar a PM e quem mais tiver culpa. Porque senão, esse caso vai ser mais um Amarildo. Foi uma execução", garante.

Cerca de 200 pessoas participaram do sepultamento de Cláudia Ferreira da Silva%2C na tarde desta segunda-feiraAlessandro Costa / Agência O Dia

Protesto volta a fechar Avenida Ministro Edgard Romero, em Madureira

Moradores do Morro da Congonha, em Madureira, voltaram a fechar a Avenida Ministro Edgard Romero, na altura do Morro do Cajueiro, na Zona Norte, na tarde desta segunda-feira, logo após o sepultamento de Cláudia Ferreira da Silva. A PM esteve no local e o clima era de tensão.

Traficantes no alto do Morro do Cajueiro estariam jogando bombas nos policiais que tentam dispersar os manifestantes que estão na via. Uma barricada também foi incendiada na Rua Leopoldino de Oliveira, um dos acessos à comunidade. A Av. Edgard Romero chegou a ficar fechada nos dois sentidos, mas voltou a ser liberada totalmente por volta das 19h.

Os manifestantes, cerca de 100, ocuparam a via no sentido Vaz Lobo e gritam palavras de ordem, entre elas "Ah, é assassino" e "Ô, ô, ô, mataram um morador".

Moradores voltam a fechar a Avenida Ministro Edgar Romero após sepultamento de mulher que foi arrastada pela viatura da PM durante socorroAlessandro Costa / Agência O Dia






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