Morre o maestro e produtor musical Lincoln Olivetti

Ele trabalhou em parceria com Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Rita Lee, entre outros

Por O Dia

Rio - Instrumentista, arranjador, compositor, produtor, chamado de ‘o feiticeiro dos estúdios’ e ‘o mago do pop’, Lincoln Olivetti morreu nesta quarta-feira, aos 60 anos, vítima de um enfarte. “Sempre estive à frente do meu tempo. Adoro música eletrônica e minha filha é ‘a’ DJ, não é verdade? (ele é pai da badalada DJ Mary Olivetti). Também sei tudo de eletrônica. Adoro quando queima algum equipamento!”, contou ele a O DIA em 2011, quando preparava sua volta aos palcos com um show no festival Copafest.

Lincoln Olivetti e seus teclados%2C quando preparava a volta aos palcosLuiz Lima / Divulgação

Lincoln Olivetti nasceu em Nilópolis e se interessou por música desde cedo. Já tocava piano aos 4 anos, passava o dia ensaiando e aos 12 já era músico de baile. “Nem me lembro como eu conseguia tocar no baile sendo menor de idade, pergunta lá para os policiais que não me pegavam! Foi uma escola violenta, você tem que tocar igual ao disco. Mas sempre quis que fosse mais sentimento do que técnica”, ressaltou o mestre.

Logo, montou um grupo de baile com seu nome, que tinha amigos como Sergio Herval (hoje no Roupa Nova, bateria) e até mesmo o futuro compositor Paulo Massadas — aquele, da dupla com Michael Sullivan.

Durante a carreira, a fama de gênio cresceu junto com a de excêntrico, por gostar de passar dias trancado em seu estúdio, em uma salinha quase sem iluminação. “Meu filho, quanto mais se vê, menos se ouve”, justificou ele.

Também sofreu críticas, de que seria responsável por uma padronização sonora da MPB — Gal Costa, Gilberto Gil, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Rita Lee, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Angela Ro Ro, Zizi Possi, Fagner, Lulu Santos, Wando e muitos, muitos outros mesmo, foram produzidos ou arranjados por Lincoln Olivetti.

“Fiquei marginalizado. Nunca quis responder aos críticos, que foram muito pejorativos. Disse apenas: vocês vão se f* e eu vou pra p.q.p., daí todos ficam felizes”, brincou.

Nos anos 70 e 80, era só ligar o rádio para ouvir Lincoln o tempo todo, em sucessos como ‘Festa Do Interior’, de Gal Costa, ou ‘Lança Perfume’, de Rita Lee. Isso sem falar em sucessos próprios, como ‘Aleluia’, de 1982, do clássico disco que fez com o guitarrista Robson Jorge. Fã ardoroso, Ed Motta escreveu em seu perfil no Facebook: “Eu espero que o Brasil seja generoso, respeitoso, consciente, e homenageie com dignidade o cara que sabia tirar maior proveito de um estúdio, do talento dos músicos. Coisa rara”.

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