- Marcos Santos/USP
Marcos Santos/USP
Por Leonardo Maia
Campos — Um dos tristes efeitos colaterais da pandemia do coronavírus tem sido o grande aumento de notificações de violência doméstica no Brasil. Lamentável retrato do machismo e da misoginia característica de nossa sociedade. Como forma de combater essa realidade num difícil contexto de isolamento social, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim) de Campos reforçou o trabalho de divulgação dos canais para denúncias e de conscientização do problema, em especial em seus canais nas redes sociais.
A presidente do Comdim, Manuelli Ramos, diz que ainda não tem dados fechados sobre um aumento de casos na cidade, desde que a quarentena entrou em efeito. Mas ela ressalta que a própria casa é o lugar menos seguro para se estar para muitas mulheres.
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“A orientação de ficar em casa, como medida preventiva à covid-19, considera que o espaço doméstico é o lugar mais seguro para estarmos. Porém, muitas mulheres se perguntam o que fazer nesse momento, em que elas são vítimas de violência do próprio companheiro”.
O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Campos reforça campanha para denúncias de violência doméstica - Divulgação prefeitura de Campos
Manuelli reforça a importância da denúncia, e do registro dos boletins de ocorrência. O Comdim tem redobrado as atenções para o atendimento no telefone (22) 981.750.193; ou no e-mail [email protected] Outro canal é a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), no telefone (22) 2738.1309.
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“É preciso fazer os boletins de ocorrência, mesmo que de forma online, formalizar a denúncia oficialmente, para que a gente também consiga contabilizar esses números e eles sirvam como dados estatísticos e orientem novas políticas públicas, quando tudo voltar ao normal”, aponta Manuelli.
A presidente da entidade também aponta os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) — ligados à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social (SMDHS) — são outros meios de se buscar ajuda. A SMDHS também podem encaminhar as vítimas para abrigos, mesmo neste momento de crise.
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“Se essas mulheres precisarem de acolhimento, sozinhas ou com os filhos, elas contam com a Casa Benta Pereira”, diz Manuelli.
A Casa da Mulher Benta Pereira é um abrigo sigiloso institucional, coordenado pela prefeitura de Campos, voltado a mulheres com medida protetiva e seus filhos. “Hoje, temos somente uma mulher acolhida, mas a capacidade é para até 18 pessoas”, explica Anne Caroline Cardoso, vice-presidente da Comdim.
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No ano passado, o Conselho já havia passado a adotar uma nova abordagem, buscando o contato com o agressor, por meio de um trabalho articulado com a Gerência de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde.
Outro serviço oferecido pelos órgãos da prefeitura e que ganha redobrada importância nesse momento é a assistência jurídica gratuita para as mulheres vítimas de violência doméstica, num trabalho conjunto dos Creas, da Deam, e da Superintendência de Justiça e Assistência Judiciária.