Obra de igreja: hospital contra o coronavírus prometido por Witzel atrasa mais uma vez

Prefeito Rafael Diniz critica adiamentos e promete esforço para ampliar número de leitos do município

Por Leonardo Maia

Rio de Janeiro - RJ  - 21/05/2020 - COVID 19 - Coronavirus no Rio - Movimentaçao na obra do hospital de campanha em Sao Gonçalo, regiao metropolitana do Rio  -  Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 21/05/2020 - COVID 19 - Coronavirus no Rio - Movimentaçao na obra do hospital de campanha em Sao Gonçalo, regiao metropolitana do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia -
Campos — A construção do hospital de campanha de Campos para controle da pandemia do coronavírus, prometido pelo governador Wilson Witzel, virou obra de igreja. Não termina nunca, e os prazos para a entrega sofrem sucessivos adiamentos. A primeira data era fim de abril, depois a promessa era meados de maio, depois dia 23, depois dia 25, e agora o governo estadual jura de pé junto que do dia 12 de junho não passa. Enquanto isso, morre gente, e a cidade entra em lockdown porque o Centro de Combate ao Coronavírus (CCC), erguido pela prefeitura, chegou ao limite e demais leitos e respiradores da rede pública também estão sobrecarregados.
“Só posso classificar como lamentável mais este adiamento”, desabafa o prefeito de Campos, Rafael Diniz. “Temos cobrado incessantemente a inauguração do hospital de campanha que vai beneficiar, principalmente, pacientes de outros municípios. Campos é polo regional e atendente a pessoas de diversos outros locais”.
Diniz destaca que se antecipou e ergueu o CCC em apenas cinco dias, quando os números de contaminados na cidade ainda eram muito baixos. Mas a demora na inauguração do hospital de campanha e a pouca adesão dos campistas levaram à lotação da unidade especial, que conta com 19 leitos de UTI e mais 40 de clínica médica, e recebe apenas pacientes com confirmação da covid, ou com sintomas graves. As outras unidades de saúde do município precisam absorver todas as internações por causas variadas.
“Estamos trabalhando para ampliar, o mais brevemente possível, nossa capacidade. Ainda assim, o hospital de campanha é necessário, porque não chegamos ao pico da pandemia. Só posso lamentar e esperar que desta vez o prazo seja cumprido”.
Questionada, a Secretaria Estadual de Saúde se limitou a divulgar as novas datas. Além de Campos, outros municípios sofrem com os atrasos sucessivos nas estruturas de emergência: São Gonçalo (27/05); Nova Iguaçu (29/05); Duque de Caxias (01/06); Nova Friburgo (07/06); Casimiro de Abreu (18/05).
O novo prazo para Campos extrapola o definido em uma medida judicial da 4ª Vara Cível de Campos, que determina que novos leitos sejam implementados até o fim do mês, com responsabilização pessoal de Witzel e do novo secretário de Saúde, Fernando Ferry.
Assim como ocorrido com outros contratos emergenciais firmados pelo governo estadual durante a pandemia, o hospital de campanha de Campos também é algo de investigação por suspeita de desvios e superfaturamentos.

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