Rico MelquíadesReprodução de internet

Participante de 'A Fazenda', Rico Melquiades foi condenado em um processo por danos morais, após uma série de publicações realizada em seus stories do Instagram, em 2019, nas quais ele teve uma postura completamente machista e misógina com três mulheres, em Maceió. Por volta das 10h30 do dia 16 de março daquele ano, três moças estavam na piscina de um resort, quando foram surpreendidas por Rico Melquiades, o também influenciador Davi Mateus (@davimateusof) e mais um amigo dos dois, o influencer Bruno Ribeiro (@brunoribeiroof). Sem qualquer justificativa, o trio chegou ao local e começou a proferir contra elas alguns comentários misóginos, preconceituosos e depreciativos relacionados a imagem delas, que naquele momento vestiam roupas de banho.
Além das ofensas, os três passaram a filmar com seus celulares alguns vídeos que foram publicados em seus stories do Instagram, enquanto comentavam sobre as três mulheres de forma completamente depreciativa e sem qualquer autorização para o uso de imagem. As moças foram citadas como 'mulheres de condutas duvidosas', segundo narra o advogado das vítimas. "Ofendendo diretamente a sua honra e integridade moral, imputando-lhes a imagem de mulheres vulgares, adúlteras, como se vivessem a prostituição e vivessem às custas de homens comprometidos. Tal situação evidencia um problema social grave, que é o preconceito contra as mulheres", diz o advogado das três.
Nos autos da ação, constam alguns trechos dos comentários dos influenciadores contra as mulheres. "Olha como é bem feita aquela de branco, Davi", disse Rico Melquiades. "Tá devendo o silicone todinho, nem pagou ainda", disse Davi, que em seguida acrescentou xingamentos. "[email protected], tudo exibidas". Bruno, por sua vez, comentou sobre o cabelo de uma das meninas: "Agora tem uma que mergulha o cabelo de instante em instante, porque a raiz do cabelo é fofa, fofa". Rico e Davi complementam a fala de Bruno: "É um bolo".
Em seguida, os comentários do trio sobre as vítimas começam a ficar mais pesados. "Eu não gostei dela não, e aquela [email protected] vira a bunda para cá, essa nojenta. Odeio pobre [email protected]", diz Davi, e Rico Melquiades concorda: "Eu também". Davi então diz que as moças têm seus luxos e procedimentos estéticos realizados em seus corpos sustentados por homens casados com outras mulheres, como se elas não fossem capazes de se sustentarem sozinhas e precisassem ser amantes para terem suas coisas: "As [email protected] tudo exibidas ali. Se exibam, [email protected] Quem pagou não foi nem elas, quando vê isso foi os homens casados dos outros. […] Depois todo mundo pergunta por que [email protected] morre logo: tá aqui, umas [email protected] se achando o máximo, fingindo que elas quem pagou tudo. Foi os homens dos outros, minha gente, quem pagou", disse o influencer.
As vítimas, por sua vez, só tomaram conhecimentos das ofensas após alguns amigos terem as reconhecido nos vídeos dos influenciadores e as avisado. Uma delas então entrou em contato em contato com Rico Melquiades e Davi Mateus, via mensagem privada do Instagram, para adverti-los sobre o constrangimento que os comentários estavam lhes causando. Depois de tentarem se esquivar da reclamação, os influenciadores reconheceram que foram inconvenientes, segundo narra o advogado das moças, e Rico, inclusive, tentou se aproximar de uma delas através de uma ligação telefônica, com o objetivo de 'conversar sobre o ocorrido', mas ela não deu abertura.
Além de uma retratação dos influenciadores e de um pedido de desculpas, as mulheres pedem indenização no valor de R$ 15 mil para cada uma. Em suas respectivas defesas, os influenciadores afirmaram que os vídeos com os comentários ofensivos era sobre eles mesmos e que as imagens foram deturpadas pelas vítimas. Alegaram ainda que os constrangimentos alegados por elas decorreram de exposição pública provocada pelas próprias e que, inclusive, em um momento anterior aos comentários, eles teriam demonstrado admiração por uma das moças.
Em sentença, o juiz do caso entendeu que houve dano moral objetivo e subjetivo contra as moças. "Os réus extrapolam o direito de livre expressão, bem como os limites do humor, violando direito a honra e a dignidade das autoras", informa o magistrado, que fixou a indenização no valor de R$ 10 mil para cada uma das vítimas. Os influenciadores estão recorrendo da decisão.
A informação inicial foi dada pela coluna Leo Dias.