Em carta, servidores apresentam propostas para o estado e pedem reunião com Witzel

Categorias estaduais querem abrir diálogo com o governo, compromisso do pagamento em dia e sugerem revisão da política fiscal do Rio

Por PALOMA SAVEDRA

Servidores entregarão ofício à Casa Civil, comandada por André Moura (à direita), pedindo reunião com Witzel
Servidores entregarão ofício à Casa Civil, comandada por André Moura (à direita), pedindo reunião com Witzel -
Com a crise do novo coronavírus, o funcionalismo estadual - e de todo o país - tem reforçado a necessidade de se valorizar a prestação de serviços públicos à sociedade, como na área da Saúde. Nesse contexto, o Fórum Permanente dos Servidores Públicos do Estado (Fosperj), que conta com 70 entidades, decidiu enviar um ofício ao governador Wilson Witzel com oito sugestões voltadas às categorias (como o pagamento em dia dos salários), ao combate à Covid-19 e à economia fluminense.

O documento será enviado hoje à Secretaria da Casa Civil, comandada por André Moura, e ao líder do governo na Alerj, Márcio Pacheco (PSC), para que entreguem ao governador. O fórum também pede uma reunião com Witzel.

O ofício virá com uma carta (que o fórum divulgou ontem em suas redes sociais) elogiando "a séria e rápida atuação" do governo no enfrentamento à pandemia, e pedindo reconhecimento do serviço público.

No texto, os servidores também afirmam que o funcionalismo do Rio "tem sido penalizado com desconto previdenciário de 14%, congelamento salarial de mais de cinco anos", gerando defasagem de pelo menos 40%. E lamentam a possibilidade levantada no Congresso Nacional de redução de vencimentos de servidores públicos em todo o país, como forma de se economizar recursos. 
Isolamento contra Covid-19 e PCCS da Saúde
O fórum pede a manutenção das medidas de prevenção à pandemia, de acordo com as diretrizes da OMS; a implementação do plano de carreiras (PCCS) dos servidores da Saúde; um canal de diálogo com o govern e a garantia de pagamentos em dia. A retomada das negociações por reposição salarial após o término da crise é outra solicitação que consta no documento. 

Os servidores sugerem ainda a possibilidade de revisão da política fiscal e de contratos do governo, reduzindo-os em até 50%, em casos de obras, além da proteção do patrimônio público, em especial, da Cedae.
'Profissionais em primeiro plano'

Diretor-presidente da Associação dos Servidores da Vigilância Sanitária do Estado do Rio (Asservisa) e integrante do Fosperj, André Ferraz pede atenção à categoria. 
"Não é de hoje que os profissionais de Saúde são bem considerados pela população. Salvar, cuidar e preservar a saúde é missão, mas a valorização desse profissional sempre é colocada em segundo plano", disse ele, pedindo que o poder público dê mais atenção aos servidores da área e sejam colocados em "primeiro plano".
"As pautas da Saúde são históricas: o PCCS, adicionais de insalubridade e noturno e outras. E durante a pandemia temos a necessidade de EPIs (equipamentos de proteção individual) e novos leitos para combatermos um vírus novo e letal. Vamos vencer a Covid-19, mas não podemos perder mais trabalhadores da Saúde por causas evitáveis. Negociar melhores condições de trabalho é nosso desejo, pois esse investimento será traduzido em melhor atendimento à população", declarou Ferraz.
Diálogo com o setor
Integrante do fórum e presidente da Associação de Servidores do Ministério Público, Flávio Sueth reforça o pedido de conversa com o governo."O governo estadual vem, em geral, aplicando medidas corretas de prevenção e enfrentamento à Covid-19, bem como estabelecendo importante diálogo com diversos setores da sociedade. Nesse sentido, os servidores públicos, que são fundamentais nessa luta, também precisam ser ouvidos", afirmou.

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