Filha e sobrinha de Ziraldo, Fabrizia Pinto e Adriana Lins marcaram presença na feira que celebra o legado do escritorJosué Santos/Agência O Dia

Rio - A festa pelos 90 anos de Ziraldo chegou em Minas Gerais, na 3ª Feira Literária de Tiradentes (Fliti), que acontece neste fim de semana. A edição deste ano faz homenagem ao cartunista e todo o seu legado na literatura infantil. Nesta quinta-feira, Fabrizia Pinto e Adriana Lins, a filha e a sobrinha do escritor, estiveram na abertura do evento e conversaram com o DIA sobre a emoção de ver a obra do artista sendo celebrada.
"O Ziraldo tem uma frase muito polêmica: 'ler é mais importante que estudar'. Isso gerou muitos risos, muitas indignações, muitas aprovações e, na verdade, isso significa que, para você estudar, você tem que saber ler. Ter o Ziraldo dentro de uma feira literária é de uma coerência e de uma alegria gigante. E é muito bonito que a gente tá falando com crianças, muitas vezes, que nasceram quando ele já tinha 80, 70 anos e, mesmo assim, ele está presente no dia a dia delas", comentou Adriana, que é diretora do Instituto Ziraldo, que preserva o acervo do desenhista.
Ela ainda destaca os sentimentos despertados pelas obras do autor, como 'O Menino Maluquinhos', 'A Turma do Pererê' e 'Flicts'. "A literatura do Ziraldo conversa de uma maneira muito próxima com o leitor e a gente viu isso durante décadas nas feiras de Bienal do Livro, em que as pessoas ficavam cinco horas numa fila pra chegar perto dele, ter um autógrafo e conversar por um minuto, porque o livro já vinha conversando com aquele leitor há muito tempo. O Ziraldo é muito inspirador, a obra dele traz pra fora de cada um sentimentos muito valorosos na vida. Faz você pensar, refletir", afirmou.
Além de ser homenageado pela Fliti, que acontece até domingo, Ziraldo também chegou às escolas tiradentinas durante a semana. Desde a última segunda-feira, os estudantes do município tiveram a chance de assistir filmes como 'O Menino Maluquinho' e o documentário 'Era Uma Vez Um Menino', no Centro Cultural Yves Alves. "A gente quer levar o Ziraldo para dentro das escolas, (levar) o prazer da leitura novamente", explicou Adriana.
Diretora do filme que conta a história de seu pai, Fabrizia Pinto relembra mais um ensinamento de Ziraldo: "Ler estimula o ser humano a refletir, a pensar sobre o que está acontecendo. Faz você aprender sobre a história do país em que você está, sobre a história do mundo, faz você questionar. Então, ler é mais importante que qualquer outra coisa. Você estuda e você só consegue estudar porque você sabe ler. Então, pra mim, esse é o maior legado dele. E estar aqui, nessa feira, está até sendo problemático porque eu cheguei e até agora não parei de chorar (risos)", brincou ela, visivelmente emocionada.
"Eu acho que uma coisa que vai manter o meu pai, se Deus quiser, sempre estimulando o ser humano é que ele mexe com a essência da gente. Ele tem alma de criança, ele não envelhece", acrescentou a cineasta.
Para Adriana, a visão de Ziraldo sobre a infância é o que faz as obras do cartunista seguirem em destaque até hoje, com adaptações em diversos formatos. No último dia 24, data em que o autor completou 90 anos, a Netflix lançou a série animada “O Menino Maluquinho”, sendo esta a primeira obra do cartunista a chegar ao streaming.
"Você não pode construir a criança querendo que ela seja o adulto. É evidente que todo mundo tem que estudar. Mas você tem que ser curioso e brincar. Então, essa coisa de moldar a criança como um 'mini-adulto' é trazer neurose e frustração. Ela tem que brincar, ser feliz e ser criança. E o Ziraldo sempre traz, na obra dele, essa curiosidade, instiga a criança a percorrer o caminho através da sua curiosidade", opinou.
"No documentário, ele diz que nada na vida faz sentido se não houver o afeto, o que fica são as relações construídas. O Menino Maluquinho nada mais era do que uma criança feliz, que cresceu e virou um cara legal. Você vê que o afeto é o mote dessa história. Na hora em que os núcleos familiares e escolares têm a sinceridade, o amparo, a escuta e o olhar, o mundo está salvo. Isso é atemporal”, completou Adriana.
O repórter viajou a convite da produção.