Assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, o enredo da Deusa da Passarela foi sobre o "Bembé do Mercado"Carlos Elias/Agência O Dia

Rio - Atual campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio, a Beija-Flor está fortíssima na briga pelo bi. Com um desfile arrasador, a escola de Nilópolis levantou a Sapucaí e encerrou sua apresentação com os gritos de "É campeã". Assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo, o enredo da Deusa da Passarela foi sobre o "Bembé do Mercado", o maior candomblé de rua do mundo, localizado na cidade de Santo Amaro, na Bahia. Outro destaque do desfile da escola da Baixada Fluminense foi a estreia de Nino do Milênio e Jéssica Martín como intérpretes, substituindo Neguinho da Beija-Flor.
O trabalho do carnavalesco João Vitor Araújo foi mais uma vez de excelência. Além do excelente acabamento dos carros alegóricos e também da confecção de fantasias luxuosas, o enredo foi muito bem desenvolvido. O "Bembé do Mercado" tem mais de 60 terreiros e é localizado na Bahia. Ele surgiu em 1889, como uma celebração popular e religiosa da comunidade negra local à abolição da escravatura, que ocorreu um ano antes.
A Comissão de Frente da agremiação apresentou uma barco que se transforma em Mãe D'água, com um tripé que também abusou de jogo de luzes. O impacto visual foi belíssimo e combinou bastante com o abre-alas e o começo grandioso do desfile da escola de Nilópolis.
O trabalho plástico da Beija-Flor apresentou luxo e leveza. Ao mesmo tempo em os carros tiveram a opulência que é tradicional das alegorias da escola, o carnavalesco João Vitor Araújo projetou fantasias belíssimas e imponentes, mas também leves, que facilitaram o desfile dos componentes, que conseguiram passear pela Avenida de forma agradável. 
A escola pode, no entanto, ser penalizada por conta de uma alegoria que acabou sendo danificada na tentativa de passar em um viaduto. O quarto carro demorou um pouco para entrar na Avenida, mas não causou qualquer prejuízo em evolução, porém, caso a danificação seja vista pelos jurados, a Beija-Flor pode perder pontos em alegorias e adereços. Além disso, uma outra alegoria passou apagada em parte do desfile.
Com a responsabilidade de substituir Neguinho da Beija-Flor, que desfilou de 1976 a 2025 como intérprete da escola, Nino do Milênio e Jéssica Martín passaram com louvor no grande desafio. O samba-enredo, que é considerado um dos melhores da safra da 2026, fluiu de forma perfeita, com o já tradicional canto forte da comunidade de Nilópolis. Lenda do Carnaval, Neguinho desfilou como componente da escola.
O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira Claudinho e Selminha Sorriso mostraram a sinergia de sempre em sua dança. A apresentação do casal foi excelente e sem problemas durante todas as cabines de jurados da Sapucaí. Carismáticos, os dois levantaram a Sapucaí.
Novamente o chão da escola de Nilópolis foi um dos grandes destaques do desfile. Os componentes da Beija-Flor tinham o samba na ponta da língua e pisaram firme no Sambódromo. Apesar do luxo das fantasias, os integrantes estavam leves e brincaram de desfilar na Sapucaí.
Novamente comandada pelos mestres Plínio e Rodney, a bateria "Soberana" deu novamente um show na Sapucaí com uma cadência perfeita e conectada com o ritmo do samba e da escola. Cria da casa, Lorena Raíssa, de 19 anos, voltou a mostrar personalidade à frente do Coração da escola.
Com 15 títulos do Carnaval do Rio, a Beija-Flor, que é a terceira maior campeã, encerrou o desfile dando o recado de que para conquistar o título deste ano, as outras escolas terão que elevar o nível para tentar superá-la e evitar que o caneco vá novamente para Nilópolis.