Duda Beat
Duda BeatFernando Tomaz
Por Nathalia Duarte
Quando Duda Beat lançou 'Sinto muito', em 2018, pouco se sabia sobre Eduarda Bittencourt. Com letras que falavam sobre o amor (e suas dores) e uma mistura única de ritmos, a cantora logo ganhou o título de "rainha da sofrência pop". E não só isso. Em pouco tempo, Duda acumulou prêmios, lotou shows em casas de espetáculos pelo Brasil e acumulou uma legião de fãs que a acompanham fielmente (só no Instagram são mais de 600 milhões). Três anos se passaram, muita coisa aconteceu, mas uma é certa: Duda continua sentindo muito, e a flor da pele. E é isso que ela mostra no "Te Amo Lá Fora", álbum lançado no dia 27 de abril.
Com 11 músicas, o trabalho é o resultado de um amadurecimento da cantora, que, mesmo com insistentes pedidos dos fãs por lançar um álbum logo, optou por esperar os três anos. Ao longo das faixas, Duda traz uma mistura de brega, trap, pagodão baiano e até pisadinha, mas tudo sempre, claro, falando do assunto que essa libriana de 33 anos mais ficou conhecida.
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"'Te amo lá fora' tem muita sofrência sim. Mas não só isso. Em "Meu Pisêro", já tinha dado essa dica. É uma música que fala sobre sofrer pelo amor não correspondido, mas no fim eu digo que tudo bem, está tudo perdoado, ninguém é obrigado a me amar, muito menos a me amar com eu quero ser amada. E tem também música de amor correspondido, falando sobre esse sentimento de completude, de felicidade.... Então, tem amor de todos os jeitos (risos)", explica Duda, que completa: "Um álbum maduro, profundo e que dialoga com todas as fases do amor. Tema principal da minha vida".
Mas se engana quem pensa que, por tratar do mesmo assunto, os dois álbuns seriam parecidos. Esse amadurecimento que Duda tanto aponta como diferença é perceptível não somente na ousadia de apostar em misturas de novos gêneros musicais como, também, nas letras que a artista canta.
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"Em 'Sinto Muito', eu acho que era mais romântica, mais iludida. 'Te Amo Lá Fora' já tem uma voz minha mais madura, mais distante, por exemplo, desses amores não correspondidos. A distância dá perspectiva para os acontecimentos. Então, eu os canto de uma outra maneira. Trago algo um pouco mais dark para este novo momento, tanto nas letras, em que estou mais debochada, mais rancorosinha às vezes (risos), quanto no visual. Foi um álbum feito durante a pandemia e mesmo que eu não cante sobre isso nas letras, essa atmosfera do momento me atravessou e encontrou eco ali, nessa ar mais melancólico".
As participações de Dona Cila do Coco e Trevo deixam o álbum ainda mais interessante e mostram a abertura musical de Duda. "Escolho artistas que admiro, que dialogam com minhas músicas, que estão disponíveis para criar, para colaborar. Acredito profundamente na criação coletiva e estou sempre aberta a ouvir".
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Escolha do Nome
A inspiração para o nome do álbum veio de uma maneira inusitada, uma lembrança da infância de Duda. Ao contrário do que se pode pensar, não é especificamente sobre um amor que não deu certo, mas, no fundo, dialoga bem com as letras apresentadas ao longo do trabalho. E a mensagem fica bem clara: apesar de transbordar sentimentos pelas pessoas, o amor próprio vem em primeiro lugar.

“O nome desse disco tem a ver com Thalia. Eu adorava o programa do Gugu quando era mais nova. Lembro de uma vez que Thalia veio ao Brasil, participou do programa dele e Gugu mostrou que tinha uma multidão do lado de fora do estúdio falando que as pessoas que estavam lá fora a amavam. Ela respondeu: "Te amo lá fuera". Quando estava escolhendo o nome do CD, lembrei dessa história e achei que casava bem com o que quero dizer com esse disco, que é eu te amo, sim, mas te amo de longe. Aqui dentro eu sou mais eu, aqui dentro é a vez do amor-próprio. O que tem tudo a ver com o disco, já que tem sofrência, mas tem também a volta por cima, o amor correspondido”, finaliza.