Formação inovadora no cais do porto

Escola francesa de tecnologia tem sistema de aprendizado gratuito sem presença de professores na Região Portuária. Modelo deve formar 450 profissionais

Por RENAN SCHUINDT

Porto pode se tornar polo de tecnologia. Queda na taxa de vagas contribui para instalação de empresas
Porto pode se tornar polo de tecnologia. Queda na taxa de vagas contribui para instalação de empresas -

Rio - Imagine uma escola sem salas de aula, quadros e até mesmo professores. Ela não só existe como acaba de chegar à Região Portuária da cidade. Trata-se da '42', escola francesa especializada em tecnologia com foco em impacto social. A instituição é conhecida por utilizar um método próprio, onde os alunos repassam o conhecimento. Na preparação para o mercado de trabalho, eles criam soluções tecnológicas para problemas de empresas reais. A expectativa é que sejam formados 450 profissionais por ano. A participação será gratuita.

Esse tipo de formação voltada para o mercado de trabalho está presente nos Estados Unidos, Romênia, Ucrânia, Rússia, África do Sul, Bélgica e Marrocos. O Brasil será o primeiro país da América Latina com uma unidade. O segundo será a Colômbia. "A cidade terá a oportunidade de incluir milhares de jovens a partir da tecnologia. É um presente para a educação brasileira e para uma geração que precisa estar capacitada para os tempos de recuperação econômica. Poderemos impulsionar a criação de startups cada vez melhores, mais inovadoras e escaláveis", diz Hector Gusmão, CEO da Fábrica de Startups Brasil, empresa responsável pela gestão da escola no país.

Evento que marcou a chegada da escola '42' ao Rio aconteceu em dezembro, na Região Portuária - Divulgação

EM BUSCA DE SOLUÇÕES

O que chama mais atenção no sistema de ensino é a maneira com que os alunos lidam com o aprendizado. A partir do peer-to-peer (P2P), conceito tecnológico onde os dados são passados diretamente de um ponto a outro, o conhecimento é transmitido pelos próprios estudantes. O formato é desenvolvido para solucionar situações reais de empresas conhecidas no mercado, o que ajuda na familiarização com a futura demanda.

O tempo médio de formação será de quatro anos. Neste período, os alunos vão encarar uma série de desafios, que serão disponibilizados no sistema da escola. As lições poderão ser feitas individualmente ou em grupo. O participante é quem vai decidir como irá resolver o problema e apresentar a solução. A expectativa é que 85% dos alunos já estejam empregados no primeiro ano. "É uma boa forma de trazer pessoas em situação carente mais rápido para o mercado", afirma Gusmão.

POTENCIAL DO PORTO

A escolha pela região foi motivada pelo potencial empreendedor. A taxa de ofertas de trabalho caiu de 87,5% para 75,1%, de acordo com a consultoria Newmark Grubb. Isso também foi importante para a decisão, já que há potencial para instalação de novas empresas. Não há previsão para abertura das inscrições. A seleção vai depender do desempenho nos exercícios propostos durante um período de vivência na escola. Poderão participar pessoas entre 18 e 30 anos, com ou sem Baccalauréat (qualificação acadêmica que franceses e estudantes internacionais obtêm para ingressar na Educação Superior).

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Evento que marcou a chegada da escola '42' ao Rio aconteceu em dezembro, na Região Portuária Divulgação

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