Mercado de moedas virtuais influencia novas profissões

Criptomoedas movimentam um mercado promissor, que mobiliza cerca de 1,5 milhão de pessoas no país. No Rio, PUC oferece curso na área de moedas virtuais

Por RENAN SCHUINDT

Mais de 2 mil moedas eletrônicas já foram catalogadas em todo o mundo. Qualquer pessoa pode investir. Mas antes, é necessário conversar com especialistas nesse segmento, que está em expansão no país
Mais de 2 mil moedas eletrônicas já foram catalogadas em todo o mundo. Qualquer pessoa pode investir. Mas antes, é necessário conversar com especialistas nesse segmento, que está em expansão no país -

Rio - Foi por acaso que Geraldo Marques teve contato com o universo das criptomoedas. Ainda em 2011, comprou sua primeira Bitcoin para jogar poker online. Hoje, ele está entre os que apostam em uma nova profissão, que nasceu com o avanço desse segmento: o consultor de criptomoedas. Embora ainda não seja reconhecida oficialmente, a consultoria é promissora, já que a quantidade de brasileiros que investem nesse ramo está em crescimento. A estimativa de especialistas na área é que existam cerca de 1,5 milhão de pessoas invistam no setor no país.

"Na época, não tinha a menor ideia do resultado que teria. Como sou entusiasta, mergulhei no assunto", conta Geraldo. O foco de sua empresa de consultoria, a Inova Cripto, é alcançar aquelas pessoas que têm interesse em investir em moeda eletrônica, mas ainda não sabem a melhor forma. "Quando descobri que se tratava de um mercado promissor, criei um modelo de negócios com multisserviços e produtos", revela o especialista.

Mais de 2 mil moedas eletrônicas já foram catalogadas em todo o mundo. Qualquer pessoa pode investir. Mas antes, é necessário conversar com especialistas. "O meu objetivo é esclarecer o funcionamento para todo tipo de pessoa. Desde os mais experientes a quem nunca fez qualquer transação. Seja para empreender ou investir", explica Geraldo.

Em geral, as universidades brasileiras ainda não contam com muitos cursos voltados para esse mercado. Por isso, é comum que futuros consultores decidam estudar em países como Japão ou Estados Unidos. No caso de Marques, o curso foi realizado na Escola de Negócios de Harvard. Muitos são conhecidos na internet pelas dicas em seus respectivos canais ou redes sociais.

Consultor de criptomoedas, Geraldo Marques diz que brasileiros estão investindo cada vez mais no ramo - divulgação

CURSO NA PUC

No Rio, a PUC oferece um curso de extensão aberto para profissionais das mais diversas áreas e idades. Basta que tenham interesse em receber uma formação na área de moedas virtuais. Não é necessário conhecimento de programação ou qualquer formação na área de computação. As aulas podem ser presenciais ou online. Para quem pensa em se lançar como investidor, Geraldo dá algumas dicas. "O tema é confuso. Mas com uma boa pesquisa, é possível entender este universo. É um negócio que envolve risco. O ideal é investir uma quantia que não vai fazer falta. A partir de R$ 10 mil, é possível fazer bons investimentos", explica o consultor.

CRIPTOMOEDA TUPINIQUIM

Recentemente, Marques aceitou o desafio de integrar o time que criou a primeira criptomoeda brasileira voltada para o varejo, a Wibx. Para isso, contou com uma equipe de 50 pessoas, além de um investimento de R$ 5 milhões. Outro objetivo ousado é transformar Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais, na primeira cidade do país a ter todos os estabelecimentos aptos a negociar com criptomoedas. "A ideia é servir como modelo para outras regiões. Uma vez que o sistema seja implementado, até o pãozinho vai ser pago com moedas virtuais", revela.

CUIDADO COM FRAUDES

Embora as transações que envolvem esse tipo de moeda sejam criptografadas, o advogado Ricardo Nicolette, especialista em Tecnologia da Informação, destaca que o anonimato dos usuários é um facilitador para o uso do meio virtual para fraudes. "Além de ser um sistema complexo, o rastreamento também é complicado. Na maioria dos casos, não é necessária qualquer identificação ou cadastro dos usuários", alerta. Em 2018, as autoridades descobriram criminosos que fraudavam licitações para o fornecimento de pães em presídios do Rio. Após analisar os computadores dos envolvidos, a Polícia Federal descobriu operações com bitcoin que enviaram R$ 300 mil ao exterior.

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