Para inserir jovens no mercado

ONGS na Mangueira e na Rocinha promovem vários cursos de capacitação que abrem as portas para o primeiro emprego e geram oportunidades em comunidades

Por Marina Cardoso

Alexandra, de 22 anos, descobriu a possibilidade de se tornar maquiadora com o projeto da Rocinha
Alexandra, de 22 anos, descobriu a possibilidade de se tornar maquiadora com o projeto da Rocinha -

Ingressar no mercado de trabalho não é fácil, ainda mais quando falta experiência. São diversas barreiras que o jovem enfrenta para ter uma colocação e a tão sonhada carteira assinada. Para ajudar no primeiro emprego, ONGs promovem projetos para gerar oportunidades em comunidades cariocas. 

Um deles é o Círculo dos Amigos do Menino Patrulheiro da Mangueira (CAMP Mangueira), na Zona Norte, que funciona mais do que banco de currículos. Antes das entrevistas, os interessados passam por capacitação. Aprendem Português, noções de cargos administrativos, relacionamento e comportamento.

O presidente do CAMP Mangueira, José Scalfone, explica que o jovem é moldado por meio de programa de introdução ao mercado. "Ele faz o curso, depois é encaminhado como Jovem Aprendiz. Nós acompanhamos o progresso e damos suporte durante", explica. 

Segundo Scalfone, 15% dos participantes já são contratados em sua primeira experiência de trabalho. No total, 60% dos adolescentes e jovens adultos conseguem emprego uma vez que passam pelo processo formativo do programa.

Aluno do curso desde o ano passado, o estudante Kaio Carvalho, 17 anos, conseguiu vaga como Jovem Aprendiz. "O CAMP tem extrema importância, pois com a formação que estou tendo lá, adquiri maturidade, conhecimento, nova visão de futuro e já estou no mercado de trabalho. Antes eu nem sabia o que iria fazer depois do Ensino Médio, agora me identifiquei com um curso", explica.

O estudante afirma que durante os oito meses de cursos já teve aulas de Matemática Comercial, Administração e Ética. "Cada disciplina dessa é relacionada a rotina do aprendiz. Agora estou começando aulas de Informática", diz.

Para o assistente de operações José Afonso, 29, o projeto abriu as portas para o início da carreira profissional. Hoje, trabalha em um escritório com carteira assinada. "Quando cheguei, aos 15 anos, não tinha ideia do que iria fazer, mas eles me deram todo o suporte. Lá, me preparam para o mercado de trabalho, através de aulas que orientam como devemos nos portar em entrevistas, ensinamento de ambiente corporativo e até como criar currículo", afirma.

ARTE GERANDO RENDA

Outro projeto é A Arte Gerando Renda da ONG Favela Mundo, na Rocinha, na Zona Sul. Com cursos de empreendedorismo, a instituição incentiva a especialização para o primeiro emprego. Na próxima semana, forma 150 pessoas, entre eles jovens, em qualificações como, Maquiagem Artística, Unhas Decoradas e Artesanato. Cada curso dura dez semanas, com aulas semanais. Ao final, os participantes são certificados.

Fundador da ONG, Marcello Andriotti explica que o projeto já capacitou jovens de várias comunidades. "Durante 4 anos de projeto, nós formamos mais de 1,1 mil alunos. O objetivo é capacitá-los, principalmente, para o Carnaval carioca ou área de estética. Muitos passaram por escolas de samba de grupos especiais e grandes empresas. 

Adolescentes a partir dos 16 anos fazem o curso. Mas é entre 19 e 24 anos que compõe a maior parte das turmas. "É o período que procuram o primeiro emprego. Ter capacitação ajudar a gerar fonte renda, mesmo dentro própria comunidade", explica Andriotti. 

Para a maquiadora Alexandra Leite, 22, o curso de 'Maquiagem Social' ajudou a descobrir um caminho. "Encontrei oportunidade de trabalho. Me encontrei no mundo da maquiagem. É possibilidade para muitos como eu entrar no mercado", conta. 

Galeria de Fotos

Alexandra, de 22 anos, descobriu a possibilidade de se tornar maquiadora com o projeto da Rocinha Reprodução pessoal
No Camp Mangueira, jovens ingressam no mercado pelo programa Jovem Aprendiz. Eles aprendem Informática e Português, por exemplo Divulgação

Comentários