Especialistas apostam em temas sociais para a redação do Enem

Exame Nacional do Ensino Médio deve abordar assuntos como fake news e o momento ruim da economia

Por Lucas Cardoso

As etapas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estão marcadas para os dias 03 e 10 de novembro
As etapas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estão marcadas para os dias 03 e 10 de novembro -
Rio - Fake news e desemprego são alguns dos possíveis temas para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), sugerem especialistas ouvidos pelo O DIA. Quase sempre com temáticas sociais atuais, a tarefa costuma ser a parte mais temida do exame, que este ano acontecerá nos dias 03 e 10 de novembro.
"Acredito que o tema seja sobre fake news. Temos visto como esse tipo de conteúdo atrapalham em todas as áreas, seja na política, na saúde ou no planejamento de vida pessoal. Precisamos criar leitores mais críticos, que consultem as informações antes de disseminar algo. Se não for o assunto do texto, com certeza será uma questão de prova", analisa Andrea Ramal, educadora autora do livro "Redação Excelente - Para Enem e Vestibulares".
Já o professor de Português do Colégio e Curso Progressão Paulo Basileu acredita que o atual momento do mercado de trabalho no país possa ser o tema da avaliação anual. Segundo o educador, o último índice de desemprego divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam essa expectativa. No balanço trimestral, o número de pessoas sem emprego formal subiu para 12,7%, que representa 13,4 milhões de pessoas. Assuntos como violência contra a mulher, a intolerância religiosa e relacionados às minorias já foram temas em provas recentes, por isso não devem aparecer na proposta.
A temática indicada pelos especialistas segue a linha de assuntos atuais abordados pela prova nos últimos anos. Na edição 2018, os candidatos tiveram que construir um texto sobre a "Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet". Dos 5,5 milhões textos avaliados, apenas 55 tiveram a nota máxima, aponta o Ministério da Educação (MEC).
Para o Basileu, o número revela a dificuldade da grande maioria dos estudantes do país no uso da língua portuguesa. "A redação, por incrível que pareça, é pensada para saber mais sobre o candidato do que sobre o próprio tema. Tudo que a banca deseja é entender se o candidato está apto para, a partir dos mecanismos que a língua oferece, revelar seu posicionamento diante de qualquer tema e argumentar em prol de sua defesa", explica.
Preparação
Já que o momento ainda é de preparação, a educadora e escritora Andrea Ramal explica que o estudo deve ser parte de uma rotina. "Quanto mais escrevemos, mais facilidade temos para colocar as ideias no papel. Vale praticar tendo como base os temas de redações de outras bancas de vestibular, fora do Enem. Ler muito também é fundamental, para estar atualizado e também para ter contato com estruturas linguísticas de qualidade", diz.
Ainda segundo a especialista, no Enem, o candidato é especificamente avaliado quanto ao uso dos  conectivos, pois escrever com coesão vale 200 pontos na nota da prova. Repetições, frases fragmentadas e emprego do conector equivocado estão entre os erros mais comuns. Para não perder pontos, é necessário estar bem atento a essas questões", explica.
Confira as dicas:
CUIDADO NO TEXTO
O candidato deve usar sempre a norma culta da língua portuguesa. Nesse quesito, são avaliados aspectos, como coerência, concordância, pontuação, flexão e ortografia.
ERROS COMUNS
Repetições, conectivos usados incorretamente, frases longas demais ou fragmentadas estão entre os erros mais comuns.
PRATIQUE
Como "a prática leva à perfeição", quanto mais o aluno escrever, mais ele estará preparado para a hora da prova. A leitura de jornais e sites de notícias vão ajudar na produção do texto.
SEM FUGA
A fuga ao tema é uma das falhas graves na Redação. O erro resulta na nota zero, o que impede o candidato de concorrer a vagas no Fies e ProUni.
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