Diante do cenário no mercado de trabalho feminino, elas se tornaram empreendedoras

No Dia Internacional da Mulher, profissionais relatam como optaram por investir na abertura de negócios diante da falta de ocupação no mercado formal

Por Marina Cardoso

Geisa Garibaldi (de amarelo) decidiu abrir a Concreto Rosa para fazer trabalho todo voltado às mulheres
Geisa Garibaldi (de amarelo) decidiu abrir a Concreto Rosa para fazer trabalho todo voltado às mulheres -

Rio - Elas são minoria no mercado de trabalho. Mas, na tentativa de reverter este quadro e driblar a taxa de desocupação, muitas mulheres estão migrando para o empreendedorismo. De acordo com levantamento da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), são 24 milhões de empreendedoras, um aumento de 118% em 2019 comparado a 2018. Mas a mudança não termina na abertura do próprio negócio. Em busca de novo caminho profissional, as mulheres começaram a se destacar em uma área na qual seria difícil atuarem no mercado de trabalho formal.

É o caso de Isis Pioneli, 29 anos, que se formou em Mecânica Industrial e Elétrica Residencial. Ela estagiou na área, mas não conseguia uma colocação no mercado de trabalho. "É uma área muito complicada para mulheres, não era nem chamada para entrevistas", diz.

Para continuar na área de formação, resolveu apostar na criação da própria empresa: a Ela Repara, que presta serviços de manutenção residencial direcionado a mulheres e idosos que não se sentem confortáveis em contratar homens estranhos para os mesmos serviços.

"Faço trabalhos de elétrica residencial, reparos hidráulicos, de alvenaria, montagem de móveis, pintura e instalações em geral de prateleiras, quadros e ventiladores. Vi que no Rio não tinham muitas meninas fazendo esses serviços e resolvi criar", explica Isis.

Para Isis Pioneli, a rotina é pesada, mas compensadora. "O dia a dia é bem puxado, pois nem sempre são trabalhos leves, além do que ouvimos muitas ofensas. Mas é o que gosto de fazer e fico feliz com meu trabalho", afirma a profissional, que atende pelo instagram @elarepara.

Assim como Isis, Geisa Garibaldi, 35, abriu a Concreto Rosa em 2015 com algumas parceiras. "A vontade nasceu da dificuldade das mulheres serem contratadas e ao mesmo tempo se sentirem inseguras. Somos uma empresa que pensa na inserção de mulheres na área da Construção Civil, que não abre tantas oportunidades para mulheres", explica Geisa, que atende pelo e-mail concretorosa@gmail.com.
Elas fazem pequenos reparos de elétrica, hidráulica, pintura e até projetos de arquitetura e engenharia. "Também fazemos oficinas e teremos cursos de capacitação", afirma Geisa.
 

Curso para usar ferramenta

Com objetivo de potencializar a mulher no segmento, o projeto Mulheres à Obra promove mais uma edição neste mês. Na sétima vez, o curso contará com quatro turmas, que neste ano chega ao número de mil participantes. Nas aulas, elas aprendem na teoria e na prática como usar ferramentas, impermeabilização, técnicas de tinta e preparo das paredes.

"As nossas alunas são curiosas e gostam de chegar, meter a cara e fazer. A gente conseguiu dar mais conhecimento, encorajar e fazer com que perdessem o medo de certos reparos domésticos", pontua Isabel Gomes, diretora de Marketing da loja Palácio da Ferramenta, que promove o curso.

Uma das mulheres que passou pelo curso foi Ellena Stellet, 26 anos. No ano passado, fez os cursos de marcenaria, elétrica e ferramentas manuais. Com o aprendizado, ela tira um dinheiro extra para as suas despesas.

"Comecei a divulgar as minhas façanhas no Instagram, deu tão certo que eu até estou pensando em fazer um canal para o YouTube, compartilhando as minhas construções", atesta empolgadíssima.

Telma Souza, 40 anos, deu uma guinada na carreira. Ela saiu do cargo de secretária-executiva e decidiu ser eletricista. "Participei dos cursos e vi potencial e habilidades. Tive a oportunidade de conhecer mais mulheres, que assim como eu, já trabalham na área ou são estudiosas do assunto, o bom e velho networking. Dessa forma, tenho atuado na área".

Para quem ficou interessado em participar, as inscrições podem ser feitas no site http://www.palacio.com.br/mulheres-a-obra. As aulas ocorrem sempre aos sábados, das 10h às 14h.

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