Diretor do Datafolha relaciona ação de empresários no WhatsApp às surpresas no Rio, Minas e Distrito Federal

Jair Bolsonaro (PSL) disse que não tem controle sobre quem firmou contratos milionários para fazer disparos em massa na rede social, reconheceu a ilegalidade da prática e insinuou ser vítima de armação da esquerda

Por O Dia

Reportagem apurou que empresas preparam uma grande operação para a próxima semana, anterior ao segundo turno
Reportagem apurou que empresas preparam uma grande operação para a próxima semana, anterior ao segundo turno -

Rio - O diretor do instituto de pesquisa Datafolha, Mauro Paulino, relacionou as surpresas no primeiro turno das eleições no Rio, em Minas e no Distrito Federal à revelação pela Folha de S.Paulo nesta quinta-feira de que empresários bancam impulsionamento de mensagens políticas no WhatsApp. A reportagem apurou que as empresas preparam uma grande operação para a próxima semana, anterior ao segundo turno.

Paulino repercutiu a reportagem afirmando que as pesquisas de intenções de voto evidenciaram os movimentos de última hora da opinião pública: "PESQUISAS ELEITORAIS evidenciaram a impulsão da onda nos momentos finais. RJ, MG e DF são claros exemplos. Ao se comparar as fotos das vésperas, registradas por Ibope e Datafolha, em comparação com a foto das urnas, o fenômeno é claramente explicitado", escreveu.

Em seguida, o diretor do Datafolha acrescentou que seu comentário é uma constatação técnica e factual, sem inferências (deduções).

No Rio de Janeiro, o candidato Wilson Witzel (PSC) surpreendeu ao chegar em primeiro lugar ao segundo turno, com 41% dos votos válidos, ultrapassando o líder nas pesquisas Eduardo Paes (DEM), com quem disputa o segundo turno. A eleição para o Senado Federal no Rio também surpreendeu elegendo Arolde de Oliveira (PSD), que era o quarto colocado na pesquisa Ibope divulgada na véspera da eleição. O líder evangélico desbancou o favorito à segunda cadeira do Senado, Cesar Maia, e Lindbergh Faria, que era o terceiro nas pesquisas. 

Além de Arolde, Flávio Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, foi eleito ao Senado pelo Rio.

Bolsonaro diz que não tem controle sobre empresários

Após a reportagem, Jair Bolsonaro falou que não tem controle se empresários firmaram contratos de cerca de R$ 12 milhões para fazer disparos em massa no WhatsApp. Ele reconheceu que as ações são ilegais e insinuou que podem ser armação da esquerda para prejudicá-lo. "Eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Eu sei que fere a legislação. Mas eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência. Pode ser gente até ligada à esquerda que diz que está comigo para tentar complicar a minha vida me denunciando por abuso de poder econômico”, disse ao site O Antagonista.