Por pedro.logato

Rio - O melhor ponta-direita do Brasil é o Gil, é o Gil! A rima simples, cantada em verso e prosa pelos torcedores de Fluminense e Botafogo, nos anos 70, fez justiça ao carismático camisa 7, que marcou época por ter um estilo único: uma mistura de força, explosão e velocidade, que, aliada ao potente chute e à personalidade, lhe rendeu o apelido de Búfalo.

Gil teve muitas conquistas pelo FluUanderson Fernandes / Agência O Dia

“Eu era um bom jogador, mas nunca fui craque. Fazia gols, era brigador, valente e dava porrada nos caras. Era difícil me parar, porque sempre fui muito forte. Por isso ganhei o apelido de Búfalo”, diz, orgulhoso, o ex-ponta-direita que virou treinador e hoje espera por um convite para voltar à ativa.

“Estou há um ano desempregado, porque nunca tive empresário. A pior coisa para o ex-atleta e treinador é ficar a mercê do que está acontecendo. Vejo até jogos das séries C e D, porque amanhã pode aparecer um convite e preciso estar atualizado”, afirma.

No ano passado, Gil comandou o Al Taawon, da Arábia Saudita, onde ficou por uma temporada. Antes disso, trabalhou no Avaí, Sport, Fortaleza, Alianza, do Peru.

Foi no comando do Botafogo que o treinador viveu o seu maior trauma. A perda do Campeonato Brasileiro de 1992, para o Flamengo, dói até hoje. Por ter a melhor campanha, o Alvinegro jogava por dois empates na final, mas foi surpreendido no primeiro jogo ao levar três gols em apenas 23 minutos. Na segundo partida, o arquirrival garantiu o título com um empate em 2 a 2.

“Não tenho como provar, mas dizem que o Flamengo comprou quatro jogadores nossos. Quem ver os gols vai ver que teve sacanagem. Eu fiquei uma semana sem dormir”, relembra Gil, que ficou sabendo da história um mês depois. “ Uma pessoa ligada a mim do Flamengo me contou da compra”, revela.

Para perplexidade do treinador, a história não teria parado por aí. “Perguntei quem eram, mas ele disse que jamais contaria. E me falou que um dia poderia me mostrar o papel provando que os jogadores assinaram o que receberam. Não sei se falou para me sacanear ou não, mas toda vez que vejo os gols”...

Gil participou da máquina tricolor de 1975 e 1976Arquivo

Título brasileiro escapou por duas vezes

Uma das maiores frustrações da carreira de Búfalo Gil foi não ter conquistado o Campeonato Brasileiro nos tempos em que fazia parte da Máquina Tricolor.

“Fui bicampeão carioca em 75 e 76, mas perdemos praticamente dois Brasileiros (em 75, o Flu ficou em 3º lugar e, em 76, em 4º). Foi uma tristeza um time tão bom não ter ganhado”.

Gil ao lado de Rivelino%2C astros do Flu nos anos 70Arquivo

Uma das jogadas mortais da Máquina eram os lançamentos de 50 metros de Rivellino para Gil. Mesmo fazendo uma dupla e tanto, eles discutiam no vestiário:

“Teve um jogo em que o Riva andava em campo porque não recebeu um dinheiro do clube. Nos reunimos com o técnico e o sacamos do time. Naquela época, todo mundo tinha que correr”.

Com a missão de dobrar Renato Gaúcho

Jogador esteve presente na Copa de 1978Arquivo

Para se firmar como treinador, Búfalo Gil teve que usar toda a sua experiência de boleiro. No Botafogo, ele sofreu para ganhar o respeito de Renato Gaúcho, em 1992.

“Olha aí, treinador que nunca jogou bola”, provocou Renato, na concentração, sem saber que o técnico já havia jogado na Seleção.

Gil respondeu na lata: “ Como é que é? Joguei no Flu, no Botafogo e disputei uma Copa do Mundo”. Sem jeito, Renato perguntou: “Você é o Búfalo?”. No que Gil respondeu. “Sou eu mesmo e joguei muito mais do que você”.

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