Por fabio.klotz

Rio - O Botafogo começa nesta quarta-feira sua escalada na Libertadores 18 anos depois sem que a torcida tenha muita certeza se o time irá sair do saguão ou sequer subir alguns andares. O fato de estar em uma altitude perigosa, com um time todo modificado, sem entrosamento, e depois de uma fraca pré-temporada, provoca sérias dúvidas sobre o que acontecerá em campo.

Jefferson é uma das esperanças do BotafogoDivulgação

A defesa com Jefferson ainda inspira alguma confiança, mas há pouca perspectiva de criatividade no meio-campo, embora Jorge Wagner tenha começado bem. O ataque tem sido uma nulidade e a esperança é de que Ferreyra mostre oportunismo nas conclusões - se depender de Henrique a coisa está mal parada.

Há certos jogadores que vivem do passado, como Renato, e outros de quem se espera muito, mas não entregam nada, caso de Lodeiro. O Bota perdeu o hábito de disputar a Libertadores, mas o problema pode ser parcialmente compensado pelos vários "latinos" do grupo. Esse primeiro adversário, de pouca tradição, anda em crise e nesta quarta, na pior das hipóteses, derrota por um gol. Mais do que isso, seria a eliminação de saída. Como o título daquele filme policial: "Morto ao chegar".

Hora de se impor

Principalmente para Vasco e Flamengo, a rodada desta quarta-feira do Carioca tem caráter de afirmação. A torcida vascaína está mais eufórica, com razão, mas é preciso que contra o Audax, longe de casa, o time mantenha o novo pique. O Fla tem bala na agulha, mas não pode repetir a pálida atuação contra o Duque de Caxias, mesmo em Friburgo — do outro lado, estará o mesmo time que o Vasco goleou. Boa hora de recuperar a ponta. No Maraca, a torcida do Flu fará festa para Conca e Fred.

Transparência

Ao trazer Walter, o Flu sabia que ele requeria tratamento especial. Não só pelo temperamento difícil, mas pela questão do peso. Se for para valer, excelente a decisão de tratar o assunto abertamente, sem preconceitos, sem enganar a mídia, como aconteceu com Ronaldo e Adriano antes da Copa de 2006. Walter chegou ao absurdo de atingir 106 quilos, longe do seu melhor do Goiás (92 kg). São 14 kg de diferença, muita coisa. Para um atleta podem parecer toneladas.

Chapa quente

Parreira é inteligente, um estudioso do futebol, mas por sempre se mostrar preocupado em não criar áreas de atrito, conquistou a exagerada fama de "chapa branca". Isso incomodava quando tinha a ver com problemas que visivelmente influíam negativamente no futebol. Mas, agora, ele surpreendeu em um rasgo de sinceridade ao revelar irritação pela maquiagem nos aeroportos, o atraso nas obras e a oportunidade de melhorar o nosso país. Legado, nem pensar.

A vez dos gringos

No "Linha de passe" da ESPN Brasil discutiu-se a importância de tantos estrangeiros nos grandes clubes, o exagero nas contratações e a diminuição das chances dos brasileiros com a permissão de cinco gringos no elenco. Claro que os melhores da América Latina jogam na Europa e há muito tiro na água, mas o saldo é positivo desde os tempos de Doval, Perfumo, Reyes e Figueroa até êxitos como Loco Abreu, Seedorf, Conca e Montillo. Eles dão aula de garra.

Assunto que fica chato, mas é inevitável

Se o Ministério Público de São Paulo cogita a chance de que alguém na Portuguesa, por razões políticas ou financeiras, foi responsável pela escalação de um jogador suspenso, então, o caso passa a ser criminal e cai tudo em zona obscura. Talvez, a tendência seja manter o Flu e a Lusa de Ilídio Lico na Série A, mas isso tira a credibilidade da competição. E a lei segue confusa e equivocada.

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