Vasco e Botafogo contam com o talento de Jordi e Renan para o clássico

Sem os titulares Martín Silva e Jefferson, nas seleções de Uruguai e Brasil, jovens goleiros assumem a responsabilidade

Por bernardo.argento

Rio - Com campanhas quase idênticas no Carioca, Vasco e Botafogo fazem um duelo direto pelo título da Taça Guanabara hoje, às 16h, no Engenhão. Quem vencer continua na briga com Flamengo e Madureira, enquanto o perdedor terá de se preocupar em garantir vaga nas semifinais. E, para esse importante clássico, os dois rivais têm mais uma coisa em comum, além da mesma pontuação (29): Jordi e Renan, goleiros reservas formados na base de seus clubes, vão substituir os ídolos da torcida Martín Silva e Jefferson, que defendem as seleções uruguaias e brasileira, respectivamente.

Renan e Jordi serão titulares no clássico deste domingo Divulgação

“Renan tira essa situação de letra, é mais experiente e já é um goleiro consolidado. É diferente da situação do Jordi, que está bem no início ainda, mas tem grande potencial e se prepara muito (para essa chance)”, compara o preparador de goleiros do Vasco, Flávio Tenius, que trabalhou no Botafogo nos últimos quatro anos e conhece bem os dois jovens.

Apesar dos goleiros definidos, os times tiveram imprevistos. Bernardo chegou atrasado no treino de ontem, irritou a comissão técnica do Vasco e foi cortado do clássico. Yago será o titular. Luan, ainda com dores musculares, será substituído por Anderson Salles. Pelo lado alvinegro, René Simões fez mistério, mas se pôde ver que Gilberto e Diego Jardel não treinaram. Se não jogarem, Luis Ricardo e Gegê serão os substitutos. Já Tomas está confirmado.

Jordi faz estreia no Maracanã como profissional

As mãos apontadas para o céu buscam proteção divina assim que chega à baliza. Ali, na grande área, está sozinho e a pressão é inevitável. Mas a responsabilidade de defender o gol do Vasco não é maior que a felicidade de assumir o desafio. O sonho de infância será realizado hoje. Com 21 anos, Jordi, revelado no clube, pisará pela primeira vez no Maracanã como profissional e, contra o Botafogo, disputará o seu primeiro clássico.

“Esse é o primeiro de muitos. Vai dar um friozinho na barriga, mas me acostumo. Passei por situações como essa na base e lá aprendemos a lidar com isso. Estou preparado”, garantiu Jordi.

O garoto, que veio de Volta Redonda, destacou-se na base, chegou a ser convocado para a seleção brasileira de sua categoria e sempre foi visto com ótimas expectativas. Mas a vida de goleiro não é fácil.

Jordi estreou no time principal do Vasco no ano passado Divulgação

Assim que subiu para os profissionais, o clube contratou Martín Silva. Com o uruguaio como titular e ídolo da torcida, as chances de Jordi diminuíram. No primeiro ano, jogou quatro vezes. Em 2015, entretanto, a comissão técnica mudou de estratégia.

“Ele sabe desde o início que é o número dois no gol. E que vai ter oportunidade, o Martín Silva sempre é lembrado na seleção do Uruguai. É um atleta que tem muito a aprender, mas que está no caminho certo”, elogiou o preparador de goleiro, Flávio Tênius.
Martín exerce forte influência no jovem atleta. Além de dividir o quarto na concentração, passa um pouco de grande experiência. “Jordi é um jogador que está atento a tudo. Ele gosta de escutar os mais velhos”, revelou Tênius.

Extrovertido, Jordi só fecha o semblante quando veste a camisa do Vasco. Fez isso contra o Boavista e o fará novamente hoje. A vontade de substituir sua referência à altura é tanta que nem mesmo uma possível pressão da torcida, ainda insatisfeita com a derrota para o Flamengo, parece incomodá-lo.

“A gente confia demais no Jordi. Ele nos passa tranquilidade”, elogiou o técnico Doriva, sem temer a escolha que fez.

Renan tem a missão de substituir o ídolo Jefferson

Substituir o ídolo da torcida alvinegra não é novidade para Renan. Ainda assim, o clássico de hoje com o Vasco é mais uma decisão para ele. Mais do que manter o nível de Jefferson, o camisa 12 tem nova chance de ajudar o Botafogo e mostrar o seu renascimento dentro do clube e na própria carreira.

Sem jogar desde junho de 2014, Renan superou a baixa autoestima que o fez pedir para não atuar mais na temporada passada após erros e críticas da torcida. Sem ter deixado de treinar, o goleiro se apegou ao carinho que recebeu dentro do clube para continuar e tomou uma decisão: mudar de postura em 2015.

“Sinceramente, não senti vontade de ir embora. Estou mais motivado e quero aproveitar as chances. O pensamento é como se eu tivesse acabado de subir aos profissionais, quero aprender mais a cada treino e jogo para evoluir. Estou encarando como se fosse tudo novidade para mim”, afirmou.

Renan vem tendo boas atuações no lugar de JeffersonVitor Silva / SS Press

A mudança de mentalidade já trouxe frutos ao goleiro.Além de lhe dar um voto de confiança, o técnico René Simões o escolheu como capitão para esse importante clássico. Após boas atuações contra Boavista e Barra Mansa, Renan se vê diferente do ano passado e credita muito da evolução ao aprendizado adquirido durante a péssima experiência vivida em 2014.

“Aprendi a ter muita paciência, saber esperar, confiar no trabalho e não desistir porque uma hora vai acabar. Estou evoluindo”, garantiu o goleiro, que precisou trabalhar a cabeça no período em que ficou parado. “Eu ia à Igreja, conversava com a minha família. Como não jogava, passava o fim de semana com ela e aproveitava para me distrair. Também conversei muito com o Jefferson, que me falou para ter calma e paciência.”

Hoje, contra o Vasco, Renan terá o primeiro grande teste de 2015. Justamente o clube que mostrou interesse em contratá-lo no fim de 2013: “A diretoria do Botafogo não liberou, fiquei sabendo quando voltei das férias.”

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