Gilmar tenta curar feridas abertas por prisão de Marín e o vexame na Copa

Para coordenador de seleções, escândalo não interfere no trabalho e tampouco abala a torcida brasileira

Por victor.abreu

Teresópolis - A goleada por 7 a 1 para a Alemanha e a prisão do ex-presidente da CBF José Maria Marin são chagas abertas. Sem remédio capaz de acelerar o processo de cicatrização, o coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi tenta, no discurso, esconder os ferimentos e atenuar a dor, como fez também a direção da entidade, ao retirar o nome do dirigente detido da fachada da sede. No dia em que a delegação chegou à Granja Comaray, em Teresópolis, onde fará a preparação para a Copa América, primeira competição oficial após o vexame no Mundial, o braço direito do técnico Dunga pouco falou de futebol.

"A Fifa que orientou a retirada do nome. A CBF apenas cumpriu o protocolo", disse.

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Gilmar Rinaldi afirmou que escândalo da Fifa não afetará seleção brasileiraErnesto Carriço

Gilmar mantinha o semblante sereno. Às perguntas que tocavam na ferida, ele reservava respostas padrão, previstas na bula que lhe serve de cartilha. O tratamento, porém, só será eficaz com altas doses de bom futebol e resultados positivos, a partir de domingo, quando a Seleção enfrenta o México, em São Paulo. Em seguida, o time pega Honduras, quarta-feira, em Porto Alegre e depois embarca para o Chile, onde estreia na Copa América contra o Peru.

"A CBF, pelo que eu sei, está voluntariamente prestando informações aos órgãos competentes. A nossa parte é técnica, de futebol. A CBF está nos dando condições de trabalho, tranquilidade e a autonomia possível", afirmou Gilmar, logo na primeira pergunta da coletiva, quando foram citados, além da prisão de Marín, escândalos recentes envolvendo Ricardo Teixeira e João Havelange, ambos ex-presidentes da entidade. Ele garante que o caso, tratado com naturalidade, não abala a torcida, que é apaixonada por futebol:

"O povo brasileiro não fica triste jamais. Conseguimos nos recuperar a todo momento. E dá provas disso todos os dias. É um povo alegre, feliz, trabalhador demais. Está sempre buscando o renascimento. Tenho muito orgulho de fazer parte deste povo."

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, era esperado para o almoço desta segunda-feira, na Granja. Ele, no entanto, adiou a vinda a Teresópolis. Sem muita convicção, Gilmar disse achar que o dirigente ainda marcará presença na preparação. A conferir.

A cada pergunta, uma nova pílula de constrangimento. Os temas oscilavam entre o escândalo de compras de votos na Fifa e os efeitos da eliminação histórica da Copa do Mundo. Gilmar e Dunga prescrevem ao grupo uma mudança de mentalidade, com a valorização do coletivo como forma de fazer a individualidade aflorar.

Fora de campo, a linha é diferente da adotada pela comissão técnica que era comandada por Luís Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira. Antes da Copa, esse dois, respaldados pelo status de últimos treinadores campeões do mundo pela Seleção, proclamaram o Brasil hexa Mundial antecipadamente, como forma de injetar ânimo no grupo. Já na equipe de Dunga e Gilmar, a cautela é usada como medida de prevenção.

"Não temos nada definido, nenhuma frase. Temos uma linha: muito trabalho. O título é consequência. Você não define se será campeão ou não, são muitos detalhes, mas tem que merecer o títulos, e nós vamos fazer por merecê-lo", disse Gilmar, que emendou: "Tem que pagar um preço, fazer sacrifício. Perguntamos isso a eles, qual o preço que estão dispostos a pagar? Mais gente quer ser campeão. Estão dispostos a pagar, a trabalhar. Esse vai ser o nosso mote."

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