
"Eu entendi que o povo se transforma em comunista, porque eles tem um apartamento ridículo, uma escola que é maravilhosa, mas todos os governantes, ditadores, são capitalistas. Você vai na casa dos caras e é mais bonita do que a do Bill Gates, que é um baita capitalista, do Steve Jobs, se a gente for pensar", completou o ex-atleta.
Antes de ser comprado pela Parmalat, na década de 90, o Italchacao se chamava Deportivo Italiano, e foi protagonista de um feito histórico, sendo a única equipe venezuelana, até hoje, a conseguiu vencer uma equipe brasileira no Brasil. O feito aconteceu em 1971, contra o Fluminense, na Libertadores.
"Eu fui pra lá porque a parceria era com o Etti Jundiaí, que era Parmalat. Aí o pessoal pediu pra eu ir pra lá pra, disputar a Pré-Libertadores na Venezuela. No começo eu fiquei meio indeciso, porque o futebol lá é a última coisa", responde ele sobre ter ido para a Venezuela.
"Eu assistia "charla", as palestras, né? E só tem coisas do governo, então fui me aprofundar sobre tudo isso, não só jogar futebol lá. Entender o comunismo e o amor que o pobre tem pelo Chávez e que ficou um pouco com o Maduro. Então eu vi a dificuldade das pessoas no supermercado, de não terem dinheiro pra comprar 1kg de carne, não terem a condição de comprar arroz, batata. Eu ia no mercado fazer compra porque ninguém me conhecia lá, ninguém sabia o que era futebol", revelou Neto.
"O que mais me deixou impressionado foi como as pessoas tinham o entendimento de sair pra rua pra reivindicar sua liberdade de expressão. Foi muito legal ter morado na Venezuela, mas eu vi muita pobreza e muito desconforto social", afirmou.
Na entrevista, o ex-camisa 10 do Corinthians revelou que decidiu se aposentar após uma cobrança de falta pelo Italchacao.
"História legal que passei lá, desenvolvi muito a parte cultural. De profissional não trouxe nada, eu joguei muito pouco lá. Eu encerrei minha carreira por lá. Eu fui jogar contra o América-MEX, que jogava o Blanco, e fui bater uma falta. Quando eu bati, o goleiro encaixou a bola. Aí, na mesma noite, eu falei pra minha ex-mulher "pode arrumar a mala que eu parei de jogar futebol". Quando eu vi que não consegui fazer o que eu tinha de melhor, que era a bola parada, com o goleiro encaixando uma bola na Pré-Liberadores, eu falei "opa, minha carreira acabou"", revelou o Craque Neto.





