Kevin Lamour, diretor de operações da FifaKristian Skeie / Fifa

A crise na Fifa, instaurada pelo plano do presidente Gianni Infantino de vender ações da Copa do Mundo para investidores privados, continua tendo desdobramentos. Após Carlos Cordeiro renunciar ao cargo de assessor da presidência, agora foi a vez de Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, se posicionar sobre o assunto.
Em comunicado à agência de notícias Associated Press, ele afirmou que a equipe foi "enganada" pela falta de transparência de Infantino no planejamento do esquema com investidores privados, e que os funcionários "merecem mais do que desprezo e intimidação".
"É um projeto de uma só pessoa", escreveu Lamour, colega de longa data de Infantino tanto na Fifa quanto na Uefa. "Não apenas este projeto não deve seguir adiante... mas chegou a hora de os líderes políticos do futebol fazerem a si mesmos as perguntas certas e tomarem as decisões corretas", prosseguiu.
Lamour não renunciou ao cargo que ocupa desde 2024, mas disse ter um dever para com seus colegas. "E se isso significar que perderei meu emprego, que assim seja. Entenderei e respeitarei essa decisão. Pelo menos dormirei bem esta noite", declarou o funcionário francês.
Infantino é presidente da entidade que comanda o futebol no mundo há mais de 10 anos e, até o início da crise, parecia ter sua reeleição garantida, sem concorrentes, para o próximo mês de março. A Fifa estabeleceu o dia 18 de novembro como prazo final para o surgimento de eventuais oponentes.

Entenda a proposta da Fifa

A ideia da Fifa consiste em vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R 102,5 bilhões. Para isso, seria criado um grupo chamado "Fifa Forward Enterprise (FFE)", que consolidaria os eventos e operações. Porém, a governança do futebol permaneceria sobre o controle da entidade gerida por Infantino.
O plano da entidade desencadeou uma onda de reações no futebol mundial. A proposta, que representa uma mudança significativa na gestão dos ativos comerciais da Fifa, dividiu as seis confederações continentais e abriu um debate sobre governança, transparência e autonomia das federações nacionais.