Pedro durante treino do Flamengo no Ninho do UrubuGilvan de Souza/Flamengo

Os clubes do Rio de Janeiro já retiraram o patrocínio das casas de apostas das camisas e já realizam suas atividades sem fazer qualquer menção às bets. Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco cumpriram o prazo da Medida Provisória do Governo Federal, que proibiu a atuação e qualquer publicidade das empresas no país. O limite era até às 23h59 (de Brasília) do dia 5 de outubro.
Botafogo e Vasco ocuparam o espaço dos patrocinadores com propaganda dos seus programas de sócios. Na camisa de treino do Glorioso, havia menção ao "Camisa 7". Já o Cruz-Maltino, por sua vez, colocou uma propaganda do "Sócio Gigante". Flamengo e Fluminense, porém, deixaram o espaço limpo. Nenhum dos quatro rompeu com suas patrocinadores e todos os contratos estão em modo de espera.
O Flamengo tem o maior patrocínio com casas de apostas do Rio e do país. O Rubro-Negro recebe cerca de R$ 260 milhões por ano da Betano, com vínculo até o fim de 2028. Já o Fluminense, por sua vez, tem um acordo com a Superbet até o fim de 2029, com valor anual de R$ 53 milhões anuais. O contrato prevê bônus por meta que pode render até R$ 86 milhões aos tricolores.
O Botafogo tem um acordo semelhante do Fluminense. O contrato do Alvinegro com a Vbet é de R$ 55 milhões por ano até o fim de 2027, podendo chegar em R$ 70 milhões por temporada se o clube atingir as metas estipuladas no vínculo. O valor do patrocinador é o dobro do que era pago pela Parimatch e é considerado o maior contrato da história do clube.
Já o Vasco acertou com a Sportingbet em julho de 2026 por R$ 25 milhões por seis meses, com mais R$ 25 milhões por performance comercial e outros R$ 15 milhões de verba esportiva. O acordo, que é válido até o fim de 2029, prevê o pagamento de R$ 35 milhões fixos a partir de 2027, com metas de R$ 10 milhões de verba de marketing, R$ 35 milhões de performance comercial e R$ 15 milhões em verba esportiva.

Medida Provisória proíbe as bets no Brasil

A Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro de 2026, proíbe em todo o território nacional a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa (as chamadas bets), abrangendo tanto apostas esportivas quanto jogos de cassino online em ambientes físicos e virtuais.
Os sites e aplicativos de apostas começaram a ficar indisponíveis e sair do ar no Brasil a partir desta terça-feira (6). O prazo para os apostadores resgatarem voluntariamente seus dinheiros diretamente nas plataformas encerrou-se às 23h59 desta última segunda (5). Entre 9 e 14 de outubro de 2026, os saldos que não foram retirados a tempo serão devolvidos aos titulares por meio dos bancos operadores.
Os clubes brasileiros tentam reverter ou suavizar os impactos da Medida Provisória. Flamengo, Botafogo, Fluminense, São Paulo e outros clubes entraram com uma liminar junto ao  Supremo Tribunal Federal (STF) e aguardam a decisão do ministro Luiz Fux. Os clubes argumentam que a suspensão abrupta fere o princípio da segurança jurídica e pedem um período de transição para  cumprir os calendários comerciais e esportivos.