Sérgio Markman coleciona recortes de jornais da época de jogador. Ele atuou com Jorge Jesus no Cova da Piedade, em Portugal
 - Gilvan de Souza
Sérgio Markman coleciona recortes de jornais da época de jogador. Ele atuou com Jorge Jesus no Cova da Piedade, em Portugal Gilvan de Souza
Por Yuri Eiras
Rio - Com a bola nos pés, Jorge Jesus era um meio-campista clássico, esguio, daqueles que correm de cabeça erguida. A mente, porém, já funcionava como a de um treinador. O brasileiro Sérgio Markman, de 68 anos, jogou com o português entre 1972 e 1973 no Cova da Piedade, time da segunda divisão do país. Ele garante que duas características não mudaram no atual técnico do Flamengo: o estilo aguerrido e a vasta cabeleira. A diferença é que, agora, o grisalho tomou conta.
"Ele era cabeludo, e eu também. Era a moda da época, estilo meio Roberto Carlos", relembra com humor o pernambucano, que saiu do Sport Recife no início da década de 1970 para atuar no Lusitano de Évora, time da segunda divisão de Portugal. A equipe foi rebaixada, e Sérgio foi transferido para o Cova da Piedade. Lá, conheceu o garoto Jesus, magro e grandalhão, então com 18 anos. O meio-campista era uma promessa revelada nas categorias de base do Sporting. Já parecia 'mandão', apesar de ser o caçula.
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"Ele já tinha uma queda para treinador, eu imagino. Ele era o mais jovem do time, e às vezes íamos orientá-lo sobre posicionamento. Ele respondia: 'deixa comigo que eu sei o que estou fazendo. Fica lá na frente porque você é oportunista. A bola vai chegar em você'", relembra Sérgio. "Ele era um jogador aguerrido, sangue quente. Não levava desaforo".
Jorge Jesus, de costas (camisa 7) acompanha jogada de Sérgio (caído, com a 9). Eles jogaram juntos no Cova da Piedade - Gilvan de Souza / Agencia O Dia
No dia a dia dos treinamentos, é comum ouvir gritos de Jorge Jesus: 'fura a bola', 'faça a bola chorar', 'bata na testa da bola'. As frases de efeito são tentativas de aperfeiçoar as finalizações dos atletas do Flamengo. O chute, aliás, era um ponto forte do Jesus jogador.
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Um lusitano quase brasileiro
Jorge Jesus sempre acompanhou pela televisão os jogos do Campeonato Brasileiro. A paixão pelo futebol 'canarinho' vem de longe. O 'Mister', como o português é chamado pelos corredores do Ninho do Urubu, contou ter jogado em um time onde só ele e o goleiro eram portugueses - todo o resto dos titulares eram brasileiros. "Ele gostava de jogador brasileiro. Conversava muito comigo, viajávamos lado a lado. Ele admirava o estilo de futebol".
Jesus e Sérgio, titulares do Cova, já golearam a versão portuguesa do Vasco da Gama. Foto de Gilvan de Souza / Agência O Dia - Gilvan de Souza / Agencia O Dia

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Com experiência de quem conhece o futebol do Brasil e da Europa - passou por Portugal, Espanha e França -, Sérgio Markman acredita que Jorge Jesus veio para levantar taças e revolucionar. "Ele é o melhor treinador no melhor time do Brasil. Vai conquistar muita coisa, e, mais que isso, vai sacudir o mercado de treinadores. Ele pensa diferente, tem métodos diferentes, e acredito que dará muito certo. Vai ser uma revolução".