Darlan RomaniAFP

Tóquio - Quarto lugar no arremesso de peso nas Olimpíadas de Tóquio, o brasileiro Darlan Romani enfrentou dificuldades para conseguir se preparar para a prova. Os problemas foram revelados pela esposa do atleta, Sara Romani, criticou a falta de suporte da Confederação Brasileira de Atletismo em atender demandas básicas.
"Desde que ele foi trazido para Bragança Paulista, eles estão para terminar a academia, comprar os aparelhos da academia que ele de fato precisa, que são materiais que até ele mesmo já propôs confeccionar, aparelhos que ele precisaria, mas não teve a permissão para colocar dentro do centro. Muitos materiais não chegaram porque 'ah não foi pedido, não chegou'", afirmou Sara em entrevista ao UOL News Olimpíadas.
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Ainda de acordo com ela, o pedido dos equipamentos necessários para a preparação do atleta foram feitos em 2017. Desde então, as respostas por parte da administração são imprecisas quanto a adaptação do local, que fica em Bragança Paulista.
"Qualquer pessoa que vai numa academia de bairro, por exemplo, uma academia grande, vai ver que os aparelhos são muito melhores do que os que tem aqui na Confederação Brasileira", comparou.
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Ela lembrou também o problema de saúde que quase tirou Darlan das Olimpíadas. O atleta precisou operar para retirar uma hérnia que teria surgido durante a preparação inadequada para os jogos.
Segundo ela, quando o CT de Bragança fechou durante a pandemia, Darlan começou a fazer os treinamentos em casa e em um terreno vazio ao lado de sua casa, em Bragança.
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"Você sabe que um atleta quando levanta uma barra de 300 kg, ele joga ela no chão, e não era possível fazer isso aqui em casa. Como os centros estavam todos fechados, ele teve que trazer tudo aqui para casa e começou essa luta de treinar, mas não podia quebrar a casa dele. Então ele levantava uma barra de 200, 300 kg e controlava para não jogar no chão. Isso foi comprometendo sim o corpo dele, ele foi sobrecarregando", contou Sara.
O diagnóstico positivo para covid-19 de Darlan, durante uma viagem para visitar seu irmão, que estava internado com 80% do pulmão comprometido, também encurtaram o tempo de preparação do atleta.
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"Foram praticamente 30 dias que ele ficou sem conseguir treinar. Perdeu massa, perdeu foco, chegou a pensar em desistir, aí nós tivemos que recorrer a uma clínica para fazer um tratamento psiquiátrico, psicológico, psicanalista, tudo com ele para ele poder chegar lá na Olimpíada. Então, ele estar lá, ele é um campeão", disse a esposa.