Por thiago.antunes

Rio - O campeão de reclamação dos consumidores no Rio é o comércio virtual. Queixas de compras pela internet atingem a margem de 75% na ouvidoria do Procon Carioca.

Para facilitar a solução destes e de outros casos, o órgão terá, até o final do ano, uma ouvidoria móvel, com três vans que vão circular pela cidade. Nesta quinta, durante blitz em um Hortifruti de Ipanema, fiscais da secretaria apreenderam 95 quilos de alimentos impróprios aos consumo.

Os veículos do Procon ficarão em pontos estratégicos — como centros comerciais — para atender os consumidores.

Das reclamações contra empresas que fazem venda on-line%2C as principais são referentes a problemas de entrega dos produtos%2C restituição e trocaEliane Carvalho / Divulgação

Os bairros ainda não foram definidos. “Vamos tirar dúvidas sobre o direito do consumidor e registrar qualquer tipo de reclamação em relação às empresas”, explica a secretária municipal de Defesa do Consumidor, Solange Amaral.

Atualmente a secretaria atende queixas relacionadas a quatro serviços: compra pela internet, TVs por assinatura, planos de saúde— referente aos prazos máximos de atendimento e agendamento de consulta e exames — e bancos — sobre a lei da fila de espera, que não pode ultrapassar 15 minutos para atendimento.

Esta última foi passiva de multa no valor de R$ 10 mil para cinco agências bancárias, que desrespeitarem esta lei, em março.

Das reclamações contra empresas que fazem vendas online, a principal delas é referente ao atraso na entrega dos produtos (81%), seguido de problemas com restituição e troca.

As queixas chegam ao Procon através da central de atendimento da prefeitura, o 1746 e pelas redes sociais. Mas para dar uma “forcinha” aos consumidores, a secretaria organiza mutirões de reconciliação.

Nos três já oferecidos — em Madureira, Tijuca e Vila Isabel — nove mil pessoas foram atendidas por mais de 30 empresas. O último mutirão ocorreu semana passada, em Vila Isabel.

‘Rede social é a melhor ferramenta’ 5 minutos com Solange Amaral, Secretária Municipal

À frente do Procon carioca desde sua criação, há um ano e meio, a ex-deputada federal Solange Amaral conta suas expectativas e revela que a rede social é por onde recebe muitas reclamações dos consumidores.

Secretária municipal de Defesa do Consumidor%2C Solange Amaral%2C faz um balanço de um ano de administraçãoFernando Souza / Agência O Dia

1. O que o Procon já flagrou de mais grave no desrespeito ao consumidor ?
— No mês passado, multamos quatro supermercados, em R$ 46 mil, por venderem quase meia tonelada de alimentos impróprios para consumo.

2. No que o consumidor precisa ficar mais atento em relação a seus direitos?
— A nota fiscal é a arma dele e deve ser exigida para todos os serviços. Mas é preciso ele entender bem dos direitos, como por exemplo, o arrependimento. Nas compras a distância, ele tem o período de 7 dias para se arrepender.

3. O turista terá um canal direto para reclamações no 1746, qual é sua expectativa?
— Queremos que o turista seja tratado como consumidor no Rio, coisa que ainda não é. O canal dará um suporte a eles, que podem registrar queixas contra bares, restaurantes e hotéis.

4. E o que o Procon faz para se aproximar mais do consumidor?
— As redes sociais têm sido a melhor ferramenta. Fico conectada sempre e os consumidores falam direto comigo. Eles mandam foto de irregularidades e me cobram também.

5. Há algum projeto que a secretaria ainda não realizou?
— Quero criar totens de atendimento, onde é só o consumidor chegar e registrar a reclamação.

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