Por raphael.perucci

Rio - Só neste ano, 342 casos de violência infantil já foram relatados pela Secretaria Municipal de Saúde no Rio. Para ajudar a impedir o aumento desse número, o órgão reedita neste mês a cartilha ‘Protegendo nossas Crianças e Adolescentes’, que procura ensinar aos pais maneiras de agir em situações de conflito com os filhos, evitando acidentes e o uso da violência em casa.

A cartilha recomenda que os pais evitem xingar e gritar com os filhos. Orienta também que os responsáveis mantenham a calma nas discussões e priorizem o diálogo. No Hospital Municipal Menino Jesus, em Vila Isabel, as médicas Débora Angeli e Bete Parente e a professora Bete Leitão estão desenvolvendo o projeto ‘Proteger’, criado para trabalhar a cartilha com as mães dos pacientes.

“Nossa ideia é debater com os pais, para que percebam os indícios da violência, que não é apenas algo físico. Omissão e xingamentos também são atos violentos”, conta Bete Parente.
Estudante de mestrado da UFF, Bete propôs que alunos da graduação de Medicina da faculdade atuem como supervisores do debate, como forma de mostrar a realidade aos estudantes: “A atividade buscará o lado humano das mães e mostrará aos estudantes que o paciente não é só um corpo deitado no leito”.

A secretaria vai distribuir a cartilha para profissionais de saúde e professores. “O material precisa ser trabalhado com as pessoas. Não adianta só entregar”, opina Bete, confiante no projeto. Jacilene Viana, 31 anos, é mãe de quatro filhos e recebeu a cartilha no hospital durante o tratamento de Wallace, de 11. “O texto ensina a gente a não reagir batendo, brigando. Ouvir outras histórias vai ser ótimo”, acredita.

Roda de conversa nas enfermarias

0utro projeto desenvolvido pelas médicas são as rodas de conversa, realizadas às terças-feiras nas enfermarias do hospital. Trata-se de reuniões com responsáveis pelas crianças internadas, com discussão de temas envolvendo os filhos. As mulheres falam sobre suas vidas, medos e problemas.

Segundo Débora, as mães que frequentam o hospital são muito jovens, e precisam deste espaço para “deixarem de ser apenas a mãe do ‘fulano’ e reconstruírem suas identidades”. “Elas conversam sem preconceito e sem se preocupar com nossa presença”, explica Débora.
Bete Parente aponta outros ganhos da iniciativa. “Muitas voltam aqui e dizem que a roda mudou suas vidas. Nada gratifica mais que isso”, diz.

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