PM afirma que  tiro disparado de carro descaracterizado era de arma não-letal

Corporação, no entanto, não justificou presença de veículo durante manifestação no Palácio Guanabara

Por O Dia

Rio - A Polícia Miltar afirmou nesta segunda-feira, por meio de nota, que o comando da corporação identificou que o disparo efetuado de dentro de uma Blazer descaracterizada, placa KMW 3453, na Rua Pinheiro Machado, na última quinta-feira, foi de armamento não-letal.

De acordo com o documento, o disparo foi de um lançador de munição calibre 12, de gás lacrimogêneo, "não oferecendo risco de morte para a população". No entanto, a PM não justificou a presença do veículo sem identificação nas ruas. Neste domingo, durante outro protesto de ativistas no Palácio Guanabara, nenhum carro descaracterizado foi avistado.

Em diversos vídeos postados no Youtube, é possível ver o veículo trafegando em baixa velocidade pelas ruas do bairro. A Blazer circula pelas vias e efetua os disparos para o alto. Em algumas ocasiões, as armas são apontadas diretamente na direção dos manifestantes, que correm para se abrigar.

Blazer descaracterizada fez disparos para o alto durante protesto da última quinta-feira no Palácio GuanabaraReprodução Internet

Manifestação foi dispersada com truculência

A Polícia Militar, em um exercício de truculência, atirou a esmo em manifestantes que voltaram a ocupar a Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, pedindo a renúncia do governador Sérgio Cabral, na última quinta-feira. Por volta das 22h, mais de mil pessoas retornaram à via e foram recebidas com balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio.

Em protesto, moradores de prédios vizinhos bateram panelas em janelas e a PM reagiu atirando contra os edifícios. Muitas pessoas foram presas sem saber o motivo.

Os policiais, em sua maioria do Batalhão de Choque (BPCHq), estavam com os nomes cobertos na farda ou máscaras nos rostos. A via foi desocupada às 22h40. Vários populares ficaram feridos ou passaram mal com as ações da polícia e foram socorridos pelo Corpo de Bombeiros e médicos de hospitais próximos.

Policiais em meio a chamas%2C na Rua Paissandu%2C bem próximo ao Palácio GuanabaraJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Muitas pessoas se trancaram em academias, lojas e edifícios. A Clínica Pinheiro Machado abriu a porta para abrigar manifestantes que pediram ajuda. Houve pânico, e o gás chegou a dominar o primeiro andar da unidade, obrigando quem tentou se abrigar a ocupar o segundo. O local teve ainda vidraças quebradas por balas de borracha. Isoladas lá dentro, pessoas pediram ajuda pelo celular.

Na Praça São Salvador, os PMs do Choque encurralaram manifestantes e revistaram grupos nas ruas adjacentes ao Palácio. Pedestres foram obrigados a deitar no chão. Mais tarde, um ônibus da polícia levou diversas pessoas. Inconformados, moradores dos prédios e populares tentaram intervir, pedindo pela soltura dos detidos.

A Rua Marquês de Abrantes, esquina com Paissandu, chegou a ser bloqueada por homens portando escudos.

Na ocasião, pelo menos 35 pessoas foram encaminhadas à 12ª DP (Copacabana).

Cabral: 'Vandalismo não será tolerado'

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, se pronunciou através de nota também na quinta-feira após a manifestação em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul da cidade. 

"O vandalismo não será tolerado no Estado do Rio de Janeiro. Grupos que vão para as ruas com o objetivo claro de gerar o pânico e destruir o patrimônio público e privado tentam se aproveitar das recentes manifestações legítimas de milhares de jovens desejosos de participar e aperfeiçoar a democracia conquistada com muita luta pelo povo brasileiro", declarou, reiterando o discurso que mantém desde o começo das manifestações no país.

Últimas de Rio De Janeiro