Por thiago.antunes
Publicado 18/07/2013 22:22 | Atualizado 18/07/2013 22:53

Rio - Uma reunião na sede da Secretaria de Segurança Pública, na tarde desta quinta-feira, buscou esclarecer o sumiço do pedreiro Amarildo de Souza. Ele desapareceu no último domingo, na Favela da Rocinha, após ser levado por policiais até a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e, segundo a corporação, ser liberado. 

Participaram do encontro o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, o comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos, o delegado-titular da 15ª DP (Gávea), Orlando Zaconne, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) e familiares do pedreiro.

Segundo Zaconne, foi assegurado aos familiares que as investigações serão intensas. "Vamos concentrar forças para achar o Amarildo. Vamos buscar os GPS das viaturas policiais, as imagens das câmeras, faremos tudo para encontrar essa pessoa. Essa reunião foi para dar uma resposta aos órgãos públicos, pois o desaparecimento de uma pessoa nas circunstâncias em que aconteceu provoca uma sensação muito ruim em todos", disse ele.

Após a reunião, Freixo analisou as manifestações desta quarta no Leblon e em Ipanema, na Zona Sul. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) foi taxativo sobre o comando policial.

Marcelo Freixo%3A 'O governador pode querer me culpar por manifestação%2C é do jogo político dele. Mas o comandante da PM fazer isso é patético'Carlo Wrede / Agência O Dia

"O comportamento do comandante da Polícia Militar foi patético. Se teve uma noite em que a Comissão de Direitos Humanos da Alerj colaborou e muito com as forças de segurança foi ontem (quarta), mediando um conflito na Rocinha originado pelo desaparecimento de um morador que saiu de casa para depor na UPP. Mas isso o comandante não sabe. Será que ele ligou de madrugada para o governador e para o prefeito para pedir ajuda, ou ligou só para mim, para mostrar serviço, agradar o governador e aparecer? O governador, por pior que seja, pode até querer me culpar pelas manifestações. Faz parte do jogo político dele. Mas essa não é a função do comandante da Polícia Militar. Isso é patético. Ele não sabe o que faz e agora quer fazer jogo político para agradar o governador", afirmou o deputado.

Freixo criticou a postura dos policiais nas manifestações. Para ele, a corporação agiu de forma irresponsável. "A PM foi muito criticada pela forma como agiu no dia 20 e no dia 11, e na minha opinião ontem deixou correr frouxo para justificar o que fez anteriormente, como se só existissem duas possibilidades: barbárie ou truculência. Não é possível que não tenha um meio termo e a polícia não possa agir de forma inteligente e competente".

Sobre o vandalismo dos atos, o deputado afirmou que os protestos não começaram com confusões e acredita que a violência policial foi o combustível para as reações dos ativistas.

"Não dá para concordar com quebra-quebra e claro que a polícia tem que prender quem estiver depredando o patrimônio público ou privado. A polícia tem que agir dentro do que a lei determina. O que está sendo questionado não é o cumprimento da lei por parte da polícia, mas o contrário, o descumprimento dela. Outra coisa que não está sendo questionada é porque só a polícia está sendo exposta? A polícia agora vai resolver os problemas da cidade? Os protestos têm uma pauta. A polícia vai resolver a farra dos helicópteros? A CPI dos transportes e do Maracanã? A crise na saúde e na educação? Tudo isso está sendo questionado nas ruas. E cadê o prefeito, o governador, os secretários de transporte, saúde e educação? Vamos jogar tudo na conta da polícia? Também não dá, né?", finalizou Freixo.

Discussão por Twitter

Durante as manifestações a Polícia Militar, por meio do Twitter, afirmou que convocou o deputado para interceder nos protestos, além do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Marcelo Chalréo, mas eles teriam recusado o pedido do comandante Erir Ribeiro.

Freixo disse ainda que a PM perdeu completamente "qualquer resíduo de seriedade" e questionou a falta de diálogos com os ativistas.

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