Por thiago.antunes

Rio - A esposa de Amarildo Dias de Souza, 47 anos, o Boi, Elisabete Gomes de Souza, acredita que o marido, desaparecido desde domingo após ser levado por PMs da UPP da Rocinha até a base da favela, não está vivo. "Já são seis dias que ele está desparecido. Esses PMs são monstros, pois tiraram meu marido de casa para matá-lo aqui mesmo na comunidade. Não tenho mais esperança que ele esteja vivo. Só me resta enterrar meu marido", disse. 

O entregador de bebidas Luiz Antônio Mota, 40 anos, primo de Boi, reforçou a afirmação de Elisabete. "Já o procuramos no necrotério, hospitais e delegacias e não há uma resposta para o desaparecimento dele. Mataram meu primo. Podem devolver o corpo?", pediu. Elisabete e cerca de 50 manifestantes fecharam a Autoestrada Lagoa Barra, em ambos os sentidos, por volta das 18h15 desta sexta-feira, em protesto contra o sumiço de Amarildo. Cerca de 30 PMs acompanham a manifestação.

Protesto de moradores da Rocinha interdita o trânsitoJoão Laet / Agência O Dia

Com cartazes e instrumentos de percussão, eles desceram pela Rua Ápia gritando palavras de ordem. PMs da UPP tentaram convencê-los a não bloquear a rua e houve rápido bate-boca. Alguns carros tentaram furar o bloqueio, mas o manifestantes sentaram no chão e impediram a manobra. Alguns motoristas e motoqueiros chegaram a discutir com os presentes no protesto.

Moradores da favela desceram dos ônibus e caminharam pela via. Marcos Antônio de Souza, 56 anos, cozinheiro, reclamou do ato. "Moro no Méier e trabalho aqui na Rocinha. Tive que descer do ônibus e andei mais de 100 metros. Vou chegar no trabalho cansado."

A Polícia Civil informou que os PMs responsáveis pela condução de Amarildo até a base da UPP prestaram depoimento na tarde desta quinta-feira na 15ª DP (Gávea). O delegado Orlando Zaconne solicitou ao comando da UPP as imagens das câmeras de monitoramento e o relatório do GPS das viaturas policiais. O comandante da UPP, major Édson Santos está providenciando o material para encaminhamento à DP.

Um outro parente, que não quis se identificar, acusou o major Édson e um policial conhecido como Vital de serem os responsáveis pelo sumiço de Boi.

O Túnel Zuzu Angel também foi bloqueado em ambos os sentidos, no entanto, às 20h50, os dois sentidos foram reabertos. Os manifestantes estenderam uma faixa preta na entrada da via, simbolizando luto pela provável morte de Amarildo, fizeram um minuto de silêncio e rezaram. Alguns moradores da parte alta da Rocinha chegaram a arremessar pedras nos PMs. Até o momento, não há registro de confusões, prisões ou feridos.

O Centro de Operações da Prefeitura informou que o acesso da Praça Sibélius ao Túnel Acústico, sentido São Conrado, encontra-se bloqueado. Motoristas que seguem da Lagoa para São Conrado são desviados para a Rua Visconde de Albuquerque e a Avenida Niemeyer.

Equipes da CET-Rio orientam os desvios de trânsito na região, onde o tráfego apresenta retenções neste momento.

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