Por cadu.bruno

Rio - Parte do material recolhido na perícia feita segunda-feira na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha deu negativo para sangue. A área pesquisada, atrás do contêiner do comando da UPP, teria sido o local da tortura e morte do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde a noite de 14 de julho.

Foram levadas para o Instituto de Pesquisas e Perícias Genética Forense, o laboratório de DNA da Polícia Civil, amostras colhidas no local e em objetos na sede. Alguns ainda passam por análises. Dez PMs, entre eles o major Edson Santos, ex-comandante da UPP, já estão presos, acusados de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver.

O depósito foi periciado após um PM, que estava no contêiner da UPP e não participou da tortura, contar a investigadores o que aconteceu com Amarildo naquela noite.

Perito colhe vestígios em portão preto atrás da sede da UPP%2C instalado após Amarildo ter sido torturadoAlexandre Brum / Agência O Dia

A área, que funciona como um depósito de entulhos e móveis, foi limpa no dia seguinte ao crime. No chão, ainda teria sido jogado óleo para tentar encobrir vestígios de sangue da vítima. Uma porta também foi instalada no lugar. A decisão seria ordem do tenente Luiz Felipe Medeiros, então subcomandante da unidade, para evitar acesso ao local. Ele também está atrás das grades.

O depoimento desse ‘policial-testemunha’ foi dado ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, que determinou novas diligências no local. Além dele, um outro policial também prestou novas declarações ao Gaeco. Ambos, que podem responder por omissão, podem ter o benefício da delação premiada (informação pela redução de pena). Amarildo teria sido morto porque o major Edson desconfiava que ele sabia onde era o paiol do tráfico.

Oficiais estão na mesma cela no Complexo de Gericinó

Ontem, o major Edson Santos e o tenente Luiz Felipe Medeiros foram transferidos para Bangu 8, no Complexo de Gericinó. Eles estavam na Unidade Prisional, o antigo BEP, em Benfica. Os oficiais estão na mesma cela.

A transferência do major foi a pedido do Gaeco para evitar que o oficial continuasse pressionando os outros policiais presos a não revelar a verdade. No entanto, a juíza da 35ª Vara Criminal, Daniella Alvarez, entendeu que o tenente Medeiros também deveria sair do BEP pelo mesmo motivo.

O advogado dos oficiais, Saulo Salles, entrou ontem com pedido de habeas corpus para os dois. No documento, ele anexou depoimentos dos oito policiais presos em Benfica: “Eles disseram que nunca sofreram ameaças ou foram pressionados pelos oficiais”. 

Pelo menos mais 16 militares são investigados por envolvimento no crime, 11 por omissão. O MP analisa a possibilidade de denunciá-los também por formação de quadrilha.

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