Polícia vai investigar preços abusivos cobrados por donos de caminhões-pipa

Procon pediu que Cedae envie identificação completa dos proprietários

Por thiago.antunes

Rio - A Polícia Civil informou, na tarde desta segunda-feira, que três delegacias especializadas vão investigar os preços abusivos cobrados pelos donos de caminhões-pipa durante a falta d’água no Rio. As investigações serão feitas pelas delegacias Fazendária (DelFaz), do Consumidor (Decon) e de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD). Segundo os agentes, os inquéritos vão apurar crimes tributários e contra a economia popular. Será solicitada à Cedae a relação dos caminhões que foram abastecidos e seus responsáveis serão ouvidos.

O Procon também notificou a Cedae nesta segunda para que a concessionária envie ao órgão, em 24 horas, a identificação completa de todos os proprietários de carros-pipa cujos veículos abasteceram na bica da Cedae nos dias 26, 27 e 28 de outubro. A notificação pede, também, que a empresa repasse, no mesmo prazo, o contrato padrão firmado com eles.

A secretária estadual de Proteção e Defesa do Consumidor, Cidinha Campos, orienta o consumidor que tenha pago valor exorbitante por uma pipa d'água a denunciar pelo disque Procon 151 ou procurar um dos postos do órgão com o nome da empresa e quanto pagou pelo serviço. Se o consumidor levar a nota fiscal com o valor pago, a empresa será imediatamente autuada e multada. 

Inflação líquidaArte O Dia

Falta d'água e serviço abusivo

Neste domingo, no posto de abastecimento da Cedae na Avenida Presidente Vargas, o serviço de transporte, que costumava variar entre R$ 1.110 e R$ 1.300 para 15 mil litros de água, chegava a custar até R$ 5 mil. Pela quantidade, a Cedae cobra apenas R$ 48,85 dos motoristas.

A concessionária prometeu que o abastecimento em bairros como Tijuca, Cosme Velho, Laranjeiras, Botafogo, Flamengo e Leblon, entre outros, estará normalizado nesta segunda. No entanto, na tarde desta segunda, a empresa deu prazo de 48 horas para resolver todos os casos. Moradores da Zona Oeste, Baixada Fluminense e Niterói também reclamam da interrupção de água.

“Todo mundo está desesperado. Um cara veio aqui e pagou R$ 5 mil por 15 mil litros. Eles cobram o que querem, e nós temos que nos virar para pagar”, reclamou Rodolfo Franklin. Síndico de um edifício no Rio Comprido, ele chegou às 9h ao posto da Presidente Vargas. Após negociar muito e ouvir preços abusivos, conseguiu comprar 10 mil litros por R$ 1.150. “Ninguém te atende mais, pois todo mundo está pedindo água. E quando te atendem, pedem fortunas. Preferi vir e negociar”, detalhou.

Polícia vai investigar preços cobrados por motoristas de caminhões-pipaCarlo Wrede / Agência O Dia

Mais pechinca

Na Rua Andrade Neves, na Tijuca, o aposentado Maurício da Rocha precisou recorrer ao conhecimento de amigos. “Me cobraram R$ 4 mil, mas consegui um por R$ 1.200”, disse o síndico, que reclamou da Cedae. “Eles mudaram o hidrômetro, aumentando uma conta mensal que era de R$ 1.500 para R$ 4 mil, e agora ainda temos que pagar fortunas por carros-pipa?”.

Rompimento de tubulação mexeu na previsão da manutenção no Gandu

A interrupção no serviço de abastecimento se deu pela paralisação da Estação de Tratamento de Guandu, que sofreu manutenção na última quinta-feira. Segundo a Cedae, a previsão era de que em 72 horas tudo voltasse ao normal.

No entanto, uma tubulação na Radial Oeste se rompeu, afetando as áreas da Zona Sul e a região central do Rio. A concessionária informou que o reparo já foi concluído. “Não tenho dormido desde quinta-feira. Sempre acordo de madrugada e começo a percorrer todos os prédios da São Francisco Xavier, na Tijuca, para saber se está caindo água. Isso passou a ser um tormento, pois são 144 unidades”, reclamou o subsíndico Luís Fernando Neves.

Até este domingo, ele já havia solicitado cinco caminhões-pipa para o prédio. “Nem sei quanto já gastamos com abastecimento de emergência. Mas gostaria de saber quem vai pagar esta ‘pequena’ conta”.

Reclamações tomam as redes sociais

Pela Internet, diversos moradores relataram problemas no fornecimento. No Twitter, as reclamações sobraram contra os serviços da Ceade. “Rua das Laranjeiras continua sem água. Hoje domingo não cai uma gota. Isso porque é Nova Cedae, imagina se fosse a Velha Cedae”, publicou o internauta Rapahel Mattos.

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