Impunidade de milicianos com os dias contados

Secretaria de Segurança quer nova análise de processo no Conselho de Disciplina da PM para expulsar condenados por formação de quadrilha e enriquecimento ilícito

Por thiago.antunes

Rio - O poder da carteira e da arma com dias contados. O comando da Polícia Militar determinou o desarquivamento de processo no Conselho de Disciplina, que, em janeiro, manteve na ativa chefes da milícia de Rio das Pedras. Como eles foram condenados por formação de quadrilha e enriquecimento ilícito na 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, a Secretaria de Segurança quer agora nova análise para colocar os policiais fora dos quadros da PM.

Entre os agentes que retornam aos bancos dos réus estão o tenente Maurício Silva da Costa, o Maurição, e o cabo reformado Marcus Vinícius Reis dos Santos, o Fininho. Os dois, condenados a sete anos de cadeia, continuam no comando de setores importantes da milícia de Rio das Pedras.

Considerados poderosos na comunidade, tenente e cabo, desde que foram sentenciados à prisão, em fevereiro, dão provas do poder financeiro e militar na comunidade: Maurição em poucos meses colocou em pé um imóvel de dois andares, com lojas e quitinetes, enquanto Fininho toca a construção de um prédio com quatro andares. Obras, evidente, erguidas sem licença ou autorização da Prefeitura do Rio, casos mostrados nesta segunda-feira pelo DIA.

Um dos dois prédios construídos por paramilitares em Rio das Pedras%2C Jacarepaguá%3A obra sem licençaDivulgação

Os outros três PMs que terão seus casos novamente analisados pela Secretaria de Segurança são o major Dilo Pereira Soares Júnior (condenado a 10 anos de prisão) e os sargentos André Elias Pereira de Oliveira e Paulo Eduardo da Silva Azevedo, o Paulo Barraco — ambos com penas de sete anos de reclusão impostas pela Justiça.

O major Dilo Pereira foi apontado em investigações da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) como o responsável por uma rede de agiotagem na comunidade, que emprestava dinheiro a juros abusivos aos moradores. As denúncias mostravam que, em caso de atraso do pagamento, as vítimas eram intimidadas e mortas.

Investigados foram promovidos apesar da fartura de provas

Mesmo investigados por ligação com grupos paramilitares, dois dos cinco policiais que agora podem deixar a PM foram promovidos. André Elias ascendeu a patente de cabo para sargento e Maurílio Costa galgou três postos: saiu de sargento para subtenente e, agora, foi reformado como primeiro-tenente. 

Na primeira análise dos processos feita pela PM, os sindicantes não enxergaram crimes administrativos ou militar dos policiais envolvidos com a milícia de Rio das Pedras, apesar da fartura de provas na investigação das polícias Civil e Federal. Eles preferiram atrelar o futuro dos agentes na tropa a decisão da Justiça Comum. 

Outra novidade na ação dos PMs é que quase todos pediram a reforma — uma manobra para sair da vida ativa de policial e tentar ser esquecido pelos sindicantes. Não deu certo. O resultado foi publicada no Boletim da PM em 18 de janeiro, um mês antes do julgamento e condenação dos milicianos pela 1ª Vara de Jacarepaguá.

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