Em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, além das enxurradas, o maior perigo continuam sendo os desmoronamentos de encostas. Logo após a catástrofe na Serra, o governo prometeu construir seis mil moradias. Desde então, foram entregues apenas 506 casas a famílias desabrigadas pelas enchentes em Nova Friburgo. Até o fim do ano, serão mais 460 apartamentos.
A meta é entregar 4.414 unidades a desabrigados em Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Areal, Bom Jardim, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto, pelo Programa Minha Casa, Minha Vida.
A Secretaria Estadual de Obras alega que faltam terrenos planos disponíveis para a construção dos imóveis na Região Serrana, que é cercada por morros. Sem ter onde morar, muitos voltaram para suas antigas casas ou se recusam a abandonar o local.
O vice-governador e coordenador de Infraestrutura, Luiz Fernando Pezão, alega que muitas famílias receberam indenização para comprar casa em local seguro ou o aluguel social. Segundo ele, foram investidos na Serra R$ 2,6 bilhões em ações de reconstrução das cidades, instalação de sirenes, contenção de encostas, reconstrução de pontes e dragagem de rios. Ele cobra das prefeituras que ajudem a retirar as famílias. “Se não fizermos o dever de casa, vão bater na nossa porta”, avisa Pezão.
Rotas de fuga e plano emergencial
A medida faz parte dos Planos de Ação Comunitários de Prevenção e Enfrentamento de Acidentes e Desastres Naturais que serão apresentados nesta terça-feira na Câmara Municipal de Petrópolis. O plano foi elaborado pelo Mãos à Obra, programa de defesa civil comunitária da Superintendência de Educação Ambiental.
O estado afirma que já reassentou 4.271 famílias em regiões com risco de inundações. A previsão é retirar mais 3.700 moradias de áreas ribeirinhas até 2015. “Não dá para evitar desastres naturais. Temos que aprender a conviver com o risco das chuvas fortes, como o Japão reage a terremotos”, disse o secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões.
O engenheiro Amaury Ribeiro, do Grupo de Risco Ambiental da Uerj, discorda. “Não temos que repetir as mesmas tragédias todos os anos. O governo tem que retirar as famílias e impedir novas ocupações em áreas de risco”, critica.




