Tensão e medo na rota de fuga do tráfico na Maré

Moradores de três comunidades vizinhas vivem dias de violência à espera de UPP

Por thiago.antunes

Rio - ‘Sempre convivemos com tiroteios, mas agora a coisa está piorando. Tem mais bandidos e tiros que o habitual. Estamos cada vez mais reféns do medo da violência”. O relato da auxiliar de escritório A., 35 anos, resume o que tem ocorrido nos últimos meses no Morro da Serrinha, em Madureira. A favela, que fica no coração da Zona Norte, é uma das rotas de fuga de traficantes da facção Terceiro Comando Puro (TCP), que já articulam parcerias para quando a polícia derrubar, definitivamente, seu último grande reduto: o Complexo da Maré.

Com a proximidade da ocupação do conjunto de 15 favelas para a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora, parte do bando vai se abrigar na comunidade de Madureira, onde estão sendo feitas as reuniões da facção. Por conta da presença de mais criminosos, os confrontos aumentaram — com policiais e bandidos de quadrilhas rivais.

Com a presença de mais criminosos%2C confrontos entre policiais e bandidos de quadrilhas rivais aumentaram principalmente na SerrinhaCarlos Eduardo Cardoso / Agência O Dia

Consequentemente, o poderio bélico da Serrinha aumentou: levantamento da polícia aponta que a quadrilha está com 150 fuzis para pronto emprego. “Há um clima permanente de tensão no ar e as pessoas, com medo, se trancam em suas casas e evitam sair depois de um certo horário”, revela a moradora, ressaltando que o medo também atinge quem mora nos bairros vizinhos.

Ainda de acordo com monitoramento da polícia, a articulação para a fuga abrange ainda outras comunidades: a Carobinha, em Campo Grande, e o Morro do Dendê, na Ilha do Governador, também serão destinos de parte da quadrilha do TCP da Maré. 

PM aperta o cerco para evitar fuga de traficantes do TCP para a regiãoPaulo Araújo / Agência O Dia

No entanto, para o chefão do bando, está decidido que seu esconderijo será um dos territórios mais bem protegidos da facção. A Favela da Coreia, em Senador Camará, é para onde Marcelo Santos das Dores, o Menor P., pretende fugir antes de a polícia ocupar o complexo. O criminoso é procurado por extensa ficha criminal, que vai do tráfico a vários homicídios.

Menor P. implanta o terror na área

Menor P.%3A violento e torturadorReprodução

Considerado violento e com perfil de torturar suas vítimas e rivais — física e psicologicamente —, o traficante Menor P. já espalha o terror pelos bairros das zonas Norte e Oeste, vizinhos às comunidades aliadas ao TCP. Todos têm medo de denunciá-lo e ele faz questão de impôr a sua ‘lei’ pelo terror. A presença do bandido e seu ‘séquito’ em andanças por essas comunidades já é o suficiente para os moradores saberem o que pode acontecer.

“Eles andam com muitas armas pesadas, vestidos de preto, ameaçando mesmo”, contou um morador da Coreia, que presenciou visita do grupo. Na Carobinha, que voltou a enfrentar intensos confrontos de criminosos rivais, a PM faz operação há um mês.

Arsenal para revidar uma invasão

Prova de que as quadrilhas do TCP se preparam para receber aliados foi a operação semana passada do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Morro do Dendê, na Ilha. Foram apreendidas metralhadores antiaéreas, munição e 300 quilos de maconha. 

Segundo a polícia, a grande quantidade de armas armazenadas pelos criminosos é para revidar tentativas de invasões de rivais, já que as quatro comunidades são os últimos grandes redutos da facção.

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