São pouquíssimas as pessoas que sabem onde o criminoso mora. Para manter o sigilo de seu endereço, ele pede aos seguranças que o deixem a metros de distância da casa e manda esvaziar a rua: enquanto ele entra, ninguém pode ficar nas janelas para ver qual é o imóvel. A obediência dos moradores não foi algo difícil para Alvarenga conquistar porque, além do poder bélico, ele faz a linha assistencialista e ajuda muitas pessoas.
O Parque União é hoje um dos maiores distribuidores de drogas da facção. De lá, saem carregamentos que abastecem favelas como a Cidade Alta, em Cordovil; Vila Kennedy, em Bangu, e Antares, em Santa Cruz, bem como comunidades de Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada. O faturamento mensal da quadrilha é de mais de R$ 5 milhões, sendo que só uma das cargas transportadas para as demais comunidades custa em torno de R$ 2 milhões.
Crack entregue no asfalto
Uma das pedras no sapato das autoridades, a cracolândia do Parque União também faz parte do domínio de Alvarenga. O efeito devastador do crack — que transformou centenas de pessoas em ‘zumbis’ que povoam a Avenida Brasil, em torno da favela que alimenta seu vício — não impede o traficante de manter seu negócio. Somente a venda das pedras movimenta para a quadrilha cerca de R$ 700 mil por semana.
Para manter a alta lucratividade, Alvarenga ordenou apenas que os ‘zumbis’ não entrem na favela, para não espantar a freguesia dos outros entorpecentes. Mas o dinheiro dos viciados, ao contrário da presença deles, é sempre bem-vindo. O traficante mandou criar um sistema ‘delivery’ para continuar vendendo aos viciados na Avenida Brasil: uma pessoa da quadrilha vai lá fora, pega o dinheiro arrecadado e entrega as pedras para o consumo. O crack vendido no Parque União vem de fora do estado, basicamente de São Paulo, destino final de uma conexão que começa na Bolívia.
Considerado sanguinário e problemático, ele é temido pelos moradores da favela porque impõe seu poder na ponta do fuzil. Prova disso é sua extensa ficha criminal, com anotações por roubo, tráfico e homicídio.
Na comunidade, nada acontece sem o aval do irmão do meio de Alvarenga que, ao contrário do mais velho, gosta de ostentação e circula em hotéis e boates badaladas, inclusive frequentadas por famosos, como o jogador Adriano, com quem Diogo não tem vínculo, mas fez questão de pedir para tirar foto ao seu lado. Na árvore genealógica do tráfico, há ainda José de Souza Resende, o Zezinho, 18 anos, caçula que também atua no bando.




