Por tabata.uchoa
Elane lembra que embarcação estava lotada%3A ‘Nem dava para mexer’Paulo Araújo / Agência O Dia

Rio - Vinte e cinco anos após o naufrágio do iate Bateau Mouche, que matou 55 pessoas, a tragédia continua sendo um dos símbolos da morosidade da Justiça no Brasil. Desde aquele 31 de dezembro de 1988, nenhum dos condenados foi preso. Não há previsão para que todas as vítimas e familiares recebam indenização.

Segundo João Tancredo, advogado especializado em responsabilidade civil que cuida da ação de seis famílias contra os empresários e contra a Capitania dos Portos — órgão da Marinha que liberou a embarcação com irregularidades —, a demora seria por conta da Justiça Federal. “Quem recorreu na Justiça Estadual, porque não acionou a Capitania, já recebeu. Na esfera federal, é muito mais lento. O processo já ficou parado 10 anos com um desembargador, e há pessoas que não receberam nada”, contou.

Dentre os sobreviventes que aguardam justiça tanto para que os condenados fiquem sob custódia quanto para indenizações, está a jornalista Elane Maciel. “Foi desesperador e de visível irresponsabilidade. O iate estava lotado, ficamos em pé quase o tempo todo. Sequer dava para se mexer. O equipamento de segurança não estava facilmente acessível. Quero muito que paguem tanto com a liberdade quanto que doa no bolso. Estamos há anos na luta.” Elane entrou com ação por danos morais.

Na tragédia, autoridades e artistas estavam entre os 153 passageiros a bordo. Uma das mais conhecidas era a atriz Yara Amaral, da TV Globo, que deixou os dois filhos que teve com Luís Fernando Goulart.

FUGA PARA A ESPANHA

O grupo iria assistir à queima dos fogos em Copacabana, mas a embarcação afundou perto da Praia Vermelha quando faltavam 15 minutos para a meia-noite. Três sócios da empresa dona do iate foram condenados a quatro anos de prisão em regime semiaberto, mas fugiram em 1994 para a Espanha.

Você pode gostar