Rio - Em busca do raro tipo de pedra-sabão, em tom verde-água clara, técnicos do Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), que autoriza ou reprova intervenções no monumento do Cristo Redentor, vão convocar consultores internacionais para tentar encontrar o “tesouro” que reveste o monumento mais famoso do Brasil. Conforme O DIA revelou ontem, com exclusividade, a estátua de 38 metros de altura — contando com o pedestal de 8 metros —, deverá passar por obras em 2016, quando, segundo previsão da Arquidiocese do Rio, é trocar todos as 6 milhões de pastilhas de pedra-sabão especiais, aplicadas na escultura há 83 anos, e hoje praticamente inexistentes na natureza.
De acordo com especialistas, o material hoje extraído nas jazidas entre Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, tem um tom um pouco mais escuro, o que deixaria ao maior cartão postal do Brasil, descaracterizado.
“Para o fornecimento de tesselas (conjunto de pedrinhas de 3x3x4 cm de tamanho) de reposição, deverá ser feito com consultores internacionais a serem contratados na área das ciências da conservação. Deverá também contribuir a equipe do Centro de Tecnologia Mineral, que já realizou, nas obras de 2010, estudos de caracterização do revestimento em pedra sabão da estátua do Cristo Redentor”, diz um trecho do texto.
Segundo a nota do IPHAN, desde 2010 (após uma das maiores obras de restauração da estátua), a Mitra Arquiepiscopal vem tentando aprovar, junto ao instituto, um plano plurianual de conservação do monumento.
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“Existe um projeto, denominado Projeto de Manutenção, Conservação e Monitoramento do Cristo Redentor, que foi encaminhado pela Mitra em julho 2012 ao IPHAN e aprovado também em julho de 2012. Este projeto, após diversas versões, foi aquele que atendeu aos critérios técnicos do IPHAN. É importante também mencionar que o IPHAN vem propondo à Mitra, desde 2010, que se faça, também, o monitoramento do estado de conservação, que tem como objetivo aferir e mensurar, em periodicidades determinadas, as condições do monumento”, explica o texto.
Projeto prevê diagnóstico
O projeto aprovado em 2012 apresenta, dentre outras propostas, o mapeamento de danos e diagnóstico do estado de conservação do monumento (incluindo, além da estátua do Cristo Redentor, toda a área do mirante). Este mapeamento seria o ponto zero do monitoramento, que contará com análises laboratoriais de caracterização e degradação de pedras de todo o monumento, bem como estudo da pátina biológica (bactérias, fungos, entre outros).
Para as ações de manutenção e conservação-restauro, estão previstos testes de procedimentos de limpeza, consolidação e proteção das pedras e o reconhecimento e identificação de jazidas de pedra-sabão em Minas Gerais, para fornecimento de peças de reposição.
Coloração das peças difícil de encontrar
Na nota, o IPHAM ressaltou ainda que as pedras originais das tesselas do Cristo são difíceis de encontrar, especialmente no que toca à sua conformação geológica e coloração.
Por ter realizado durante as obras em 2010 estudos de caracterização do revestimento em pedra sabão da estátua do Cristo Redentor, o Centro de Tecnologia Mineral também deverá contribuir nesse projeto.
Esse desenvolvimento deverá ser feito em conjunto com o IPHAN e com os consultores internacionais a serem contratados na área das ciências da conservação.




