Por thiago.antunes

Rio - A proliferação de abelhas africanas, também conhecidas como ‘assassinas’, tem deixado em estado de alerta a Defesa Civil de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Com medo de serem atacados, moradores têm pedido com frequência a retirada das colmeias. Cerca de 100 chamados estão sendo feitos por mês desde dezembro. Não há registros de pessoas que foram vítimas fatais. Mas, pelo menos um cavalo morreu picado por um enxame de 60 a 80 mil abelhas no fim de fevereiro.

Moradores de áreas rurais ao longo do corredor da Avenida Abílio Augusto Távora (antiga Estrada de Madureira), como também em Rancho Novo, Tinguá, Rodilândia e Austin são os que mais fazem solicitações. “O que tem nos preocupado é que as abelhas também passaram a se proliferar em áreas urbanas, onde há grande movimento de pessoas. Queremos evitar ataques, pois as abelhas podem até matar”, lembra o secretário de Defesa Civil de Nova Iguaçu, Luiz Antunes.

Duas colmeias foram retiradas ontem%3A uma no bairro Mariléia (foto)%2C na área urbana%2C e outra em um sítioDivulgação

Só nesta terça-feira, duas colmeias foram retiradas em pontos diferentes. Uma no bairro Mariléia — área urbana — e outra em Tinguazinho, dentro de um sítio. Hoje, equipes da Defesa Civil vão retiraras abelhas de mais duas casas: Jardim Alvorada e Vila de Cava. A operação de captura é feita à noite.

“Não adianta fazer de dia porque as abelhas não ficam na colmeia. À noite é menos perigoso pois há poucos curiosos, que podem ser picados caso haja um ataque durante a ação”, contou o secretário.
Luiz Antunes fez um apelo à população para que não tentem retirar as colmeias, que costumam aparecer em telhados, postes de energia elétrica, prédios escolares, árvores e até em forros de sofá. “Quando você mata uma abelha sobre a sua pele, ela exala um sinal de alerta à comunidade, que vem em sua defesa e ataca quem estiver na frente”, explicou Luiz Antunes.

O secretário lembrou que há sete anos duas pessoas morreram por ataque de abelhas, uma delas na Estrada de Madureira, altura do bairro Marapicu, e a outra no bairro Nova América. Ele contou que, semana passada, operários da Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb) não viram uma colmeia dentro de uma lixeira, na Estrada do Gatão, em Cabuçu, e por pouco não foram atacados pelas abelhas.

A Prefeitura informou que dispõe de apicultores, em plantão permanente, com equipamento adequado para socorrer a população gratuitamente, a qualquer hora do dia ou da noite. Basta ligar para 190 ou 2668-3537.

Alérgico pode morrer com uma picada

Uma picada de uma abelha africana já é suficiente para causar a morte de uma pessoa alérgica, de acordo com Maria Lúcia França Moscatelli, entomologista do Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Segundo ela, para um adulto não alérgico, cerca de 200 picadas podem ser fatais.

“Elas são extremamente perigosas e devem ser evitadas ao máximo. O ferrão delas contém veneno”, avisa a especialista em insetos. Maria Lúcia se mostra preocupada com a proliferação de abelhas em áreas urbanas. “Basta uma fumaça ou barulho próximo da colmeia para elas atacarem.” Segundo a entomologista, as abelhas chegaram ao Brasil há 50 anos, quando um pesquisador as trouxeram para São Paulo, pois produziam mais mel que as europeias, consideradas mansas.

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