Rio - A 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro realiza nesta sexta-feira, a partir das 13h, a primeira audiência de instrução e julgamento de Fábio Raposo Barbosa, de 22 anos, e Caio Silva de Souza, 23, acusados pela morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio de Andrade, atingido com um rojão na cabeça enquanto cobria uma manifestação nas imediações da Central do Brasil no dia 6 de fevereiro deste ano.
Fábio e Caio são apontados como responsáveis por acender e lançar o rojão durante protesto contra o aumento no preço das passagens do transporte público. O cinegrafista teve morte cerebral confirmada no dia 10. Três dias após o crime, o tatuador Fábio Raposo foi preso na casa dos pais, no Recreio dos Bandeirantes, e entrou em acordo com a polícia para revelar a identidade do outro acusado, para quem teria repassado o explosivo.
Suspeito de ter lançado o artefato que vitimou o cinegrafista, Caio de Souza, auxiliar de serviços gerais no hospital Rocha Faria, em Campo Grande, foi capturado no dia 12, em uma pousada na cidade de Feira de Santana, na Bahia, de onde tentaria seguir para a casa de parentes no Ceará.
Responsável pela defesa da dupla, o advogado Jonas Tadeu Nunes comentou o início dos procedimentos e afirmou que seu objetivo inicial é modificar o teor das acusações sobre os réus e retirar o caso da competência do tribunal do júri.
“Se houver tempo para que as testemunhas de ambas as partes sejam ouvidas, vamos tentar apresentar provas que levem o tribunal a desqualificar a acusação de homicídio doloso para culposo (quando não há intenção de matar)”, disse, na ocasião, Jonas. “Caso isso aconteça, terá que ser iniciada uma nova ação penal, na vara comum.”
No início do mês, os dois réus tiveram pedidos de habeas corpus negados pela 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça. Na ocasião, os desembargadores que julgaram o caso entenderam haver motivos claros para que a dupla seguisse presa. Assim, os acusados irão aguardar a conclusão do julgamento na cadeia.
Nesta sexta, as 16 testemunhas chamadas a depor começarão a ser ouvidas. Não há prazo fixado para o fim das audiências. Fábio Raposo e Caio de Souza são acusados dos crimes de explosão e homicídio triplamente qualificado podendo receber penas de até 34 anos de reclusão. Ambos estarão presentes à audiência judicial.




