Por adriano.araujo

Rio - A notícia de que um dos heróis do massacre na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, foi preso na semana passada como suspeito de integrar quadrilha que roubava lingeries, surpreendeu moradores do bairro. Além de deixar indignados parentes das vítimas, os outros dois policiais militares que participaram da ação que salvou alunos junto com o sargento Denilson Francisco de Paula ficaram consternados.

“Não esperava isso do Denilson. Saber que ele pode estar envolvido em um esquema de roubo é triste. Acho que a população, que tanto aplaudiu nosso trabalho na época da tragédia, sentirá vergonha”, opinou o sargento do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) Márcio Alexandre Alves. No dia do massacre, em abril de 2011, Alves foi o primeiro policial a entrar na escola e impediu novos ataques do assassino.

Carla e Carlos Alberto ficaram indignados ao saber que herói em escola pode estar envolvido com crimeMaíra Coelho / Agência O Dia

Salvo por Denílson

O outro policial que participou do salvamento das crianças, o sargento Edinei Feliciano, ficou assustado com a notícia. “Quando vi o jornal (ontem), fiquei muito assustado. Não tinha contato com ele desde a época da tragédia”, disse o sargento Edinei.

Mãe de Diego Vargas, uma das vítimas da tragédia que levou dois tiros, disse que foi o sargento Denilson quem socorreu seu filho no dia do massacre. “Ele colocou o Diego no carro e levou para o hospital. Se não fosse ele meu filho talvez nem estivesse vivo”, relembrou a diarista Débora Xavier. “É muito triste saber o rumo que este PM tomou. Mas do ser humano, eu espero tudo”, completou ela.

O motorista Carlos Alberto Vilhena de Souza, pai de Carlos Matheus Souza, atingido por três disparos, também ressaltou a vergonha para o PM. “Independente do que ele fez na escola, é muito ruim ficar conhecido por roubo”, declarou Carlos. “Nem acreditei quando soube”, acrescentou Carla Vilhena de Souza, mulher de Carlos Albert, e mãe afetiva de Matheus.

Audiência na Justiça Militar quinta-feira

Na próxima quinta-feira, Denilson e outros cinco PMs acusados de integrar a ‘Gangue das Calcinhas’, serão réus em audiência na Auditora da Justiça Militar. Na denúncia do Ministério Público, o grupo responde por roubo, extorsão mediante sequestro e concussão.

Os sargentos Edinei Feliciano e Márcio Alexandre Alves, que trabalham no BPRv, conheceram Denilson, do Batalhão de Vias Expressas (BPVE) no dia da tragédia porque apoiavam ação do Detro contra vans irregulares. Após o massacre, os três se encontraram em atos solenes e palestras, mas, segundo o sargento Alves, Denilson logo se afastou dos eventos. “Ele só aparecia no início, depois não ia mais porque dizia que trabalhava também como segurança. Nunca ostentou nada. Tinha carro bem popular”, completou Alves.

Na ocasião, os três foram promovidos a sargento e condecorados por bravura em uma cerimônia com governador, prefeito do Rio e o vice-presidente da República, Michel Temer.

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