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Sambista fazia parte da quadrilha fardada da Tijuca
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Sambista fazia parte da quadrilha fardada da Tijuca

Topiqueiro, compositor do Salgueiro é investigado no escândalo da propina do 6º BPM

Por thiago.antunes

Rio - Maury José Batista,conhecido 0.769,3.805,1.142,5.737,1.142c3.904,0,7.74-1.523,10.61-4.394l150.063-150.061L406.06,507.606c4.29,4.29,10.742,5.573,16.347,3.252c5.605-2.322,9.26-7.791,9.26-13.858V15C431.667,6.716,424.951,0,416.667,0z M256.002,321.332c-3.978,0-7.793,1.58-10.606,4.394L110.333,460.787V30h291.333v430.785L266.609,325.726C263.796,322.912,259.981,321.332,256.002,321.332z"/>

  • Por thiago.antunes

    Rio - Maury José Batista,conhecido no mundo do samba como Miudinho, é acusado de fazer parte da quadrilha fardada que cobrava propina de mototaxistas e de motoristas do transporte alternativo em pelo menos três áreas pacificadas na Tijuca. Um dos compositores do samba-enredo do Salgueiro, vice-campeão do Carnaval do Rio deste ano, Miudinho tem uma van e é apontado como administrador do ponto na Praça Gustavo Capanema. Os veículos circulam pelo Morro do Salgueiro, que possui uma UPP.

    Segundo o Ministério Público (MP), o esquema era chefiado pelo comandante do 6º BPM (Tijuca) na época, o tenente-coronel Márcio de Oliveira Rocha, como mostrou reportagem exclusiva do DIA na edição de ontem. E também contava com a participação de outro oficial: o major Rômulo Oliveira André, que era subcomandante do batalhão.

    Ao todo, 30 pessoas tiveram o pedido de prisão preventiva requerido pelo MP em outubro do ano passado, acusadas de participação no esquema, que rendia mais de R$ 100 mil a 12 policiais militares, acusados de agir em pelo menos três áreas pacificadas da Tijuca.

    O sambista Miudinho trabalha em van na Praça Gustavo Capanema%2C na Tijuca%2C onde também há um ponto com mototaxistas. Veículos circulam pelo Morro do SalgueiroReprodução

    Miudinho foi flagrado em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça no dia 31 de maio de 2013, enquanto combinava o pagamento de R$300 com o sargento Adalci Dias de Carvalho, do Auxílio à Polícia de Trânsito (Aptran) do batalhão. De acordo com a investigação, o sambista usou um código para falar do pagamento, identificando notas de R$ 100 como “confetes”.

    O sambista foi indiciado por corrupção ativa, acusado de pagar aos PMs da Aptran para evitar apreensões de veículos com irregularidades, segundo denúncia do promotor Marcos Kac, da 9ª Promotoria de Investigação Penal.

    “Esse acordo previa, ainda, um serviço de ‘assistência’, quer dizer, caso ocorresse algum problema com vans e mototáxis, era só telefonar e lá na localidade se apresentava um policial para solucionar o impasse”, escreveu o promotor na denúncia. Quatro representantes de outros pontos de transporte alternativo da Tijuca são acusados de fazer parte do esquema.

    Policiais militares do 6º BPM (Tijuca) são acusados de comandar esquema de cobrança de propinaAlessandro Costa / Agência O Dia

    Os policiais foram indiciados por corrupção passiva, formação de quadrilha, associação criminosa e prevaricação. Em nota, a Polícia Militar informou que a Corregedoria interna da corporação abriu um procedimento apuratório para acompanhar o caso. Todos os suspeitos estão trabalhando em funções administrativas.

    ‘Aqui ninguém tem rabo preso’, garante Miudinho

    Quinta-feira, 21h. De um lado da Praça Gustavo Capanema, dezenas de mototaxistas disputavam espaço na calçada. No outro lado, havia três vans estacionadas. O símbolo da escola de samba do Salgueiro fixado numa porta lateral e o apelido “Miudinho” escrito no vidro da van identificam o veículo do sambista acusado de fazer parte do esquema.

    Miudinho é compositor do SalgueiroAgência O Dia

    Sentado em um papelão em cima do pé de uma árvore enquanto estava à espera de passageiros, Miudinho, 62 anos, conversou com O DIA sobre o contato com os policiais militares da Aptran. E negou o pagamento de propina a membros da quadrilha fardada denunciada pelo MP. “Aqui, ninguém tem rabo preso com ninguém. De vez em quando, os policiais passam por aqui. Mas nunca pediram dinheiro”, disse.

    Ele afirmou conhecer o sargento Adalci, a quem pagou R$ 300 de propina, segundo escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. E elogiou o policial, se referindo à ação dele para coibir a circulação de veículos irregulares: “Conheço, conheço do samba. Às vezes, ele quer pular na quadra da escola. É brabo! Ele prende mesmo. Com ele, não tem conversa. Se tiver errado, ele prende.”

    Miudinho também negou ser o administrador do ponto. “Estão falando que eu sou o chefe... Realmente, sou o mais antigo, entendeu, filhão? Mas aqui não tem chefe”, argumentou. Ele já tinha conhecimento da acusação porque foi procurado por agentes da 19ª DP (Tijuca) em meio à investigação. “Cê pergunta quem é o Miudinho na comunidade. Sempre batalhei no maior sofrimento. Todo mundo me conhece. Tenho fé Naquele, entendeu, filhão?”, disse, com o dedo apontado para cima.

    Escutas telefônicas

    31 de maio - 17h06

    Miudinho liga para o sargento Adalci, que integra a Aptran do 6º BPM (Tijuca), e confirma o pagamento de “três confetes”. Na gíria, se refere a três notas de R$ 100. Segundo a investigação, o valor foi arrecadado com motoristas de van que circulam pelo Morro do Salgueiro, área que possui uma UPP. Adalci orienta Miudinho a entregar o dinheiro na Pinto, citando um bar na Rua Pinto de Figueiredo. Segundo a denúncia, o comércio, que fica nas imediações da sede do batalhão, é local de entrega da propina.

    Miudinho - Tá onde? Tá onde? Sargento Adalci - Tô aqui, na altura aqui do Alzirão. Na altura do Alzirão.
    Miudinho - Então me encontra lá. Tô com três confetes.
    Adalci - Manda lá pra Pinto (bar na Rua Pinto de Figueiredo) aquele lá. Manda lá pra Pinto.
    Miudinho - Então tranquilão, mermão. Deixa comigo então. Valeu.
    Adalci - Do Salgueiro também vai, né?
    Miudinho - Vai, vai. Vou arrumar aquele da filial pra tu. Essa semana vai vim pra mim. Tô descendo, vou mandar pra lá.

    31 de maio - 17h30

    Menos de 30 minutos depois, Miudinho volta a ligar para o sargento Adalci para confirmar que os R$ 300, valor combinado da propina paga pelos motoristas de van aos policiais do Aptran, foram pagos no local indicado. O sargento, então, adota um tom mais amigável na conversa e pergunta se Miudinho irá para a escola de samba Salgueiro mais tarde. Depois, diz que vai aparecer lá, para “tomar um gelo”.

    Miudinho - Adalci! Gol, hein? Bola na rede.
    Adalci - Oi?
    Miudinho - Bola na rede. Foi!Adalci - Valeu, valeu, valeu! Você vai estar logo mais no Salgueiro?
    Miudinho - Pô, nem sei, irmão. Sabe qual a parada aqui. Faleceu aqui... Nem sei como vai ser, cara. Falei até com a Regina (Celi, presidenta da escola de samba Salgueiro). Tô legal lá em cima, para dar uma olhadinha. Nem sei como vai ser, cara.
    Adalci - Então, valeu, valeu. Qualquer dia, apareço lá para tomar um gelo.
    Miudinho - Vou te ligar esta semana.

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