Documentos falsos foram peça-chave para apurar fraude

Ações de pessoas diferentes para extorquir empresas usaram o mesmo comprovante

Por thiago.antunes

Rio - A análise em processos feita por perito do Tribunal de Justiça foi fundamental para reforçar a acusação contra o advogado Thiago David Fernandes, de 37 anos, de envolvimento no megaesquema de fraude no 2º Juizado Especial Cível, no qual usava nomes de pessoas que tinham ficha suja na praça para entrar com ações contra empresas, sem elas saberem.

Em 14 ações, segundo o juiz Flávio Citro, ele utilizou o mesmo comprovante de residência. O que mudava na conta de telefone eram os nomes dos autores dos processos e os endereços, mas o número do código de barra era o mesmo. Além disso, exames grafotécnicos atestam que as assinaturas das procurações eram falsas. Como O DIA publicou ontem com exclusividade em pouco mais de dois anos, uma rede de 11 profissionais lesou empresas e pessoas foi investigada.

Nove respondem por estelionato, falsificação de documentos, uso de documentos falso e falsidade ideológica. “Os resultados dos laudos são claros no caso dos processos do Thiago. As pessoas também foram chamadas para prestar depoimentos”, informou o juiz Flávio Citro, do 2º Juizado Especial Cível da Capital.

O advogado Thiago David Fernandes é um dos acusados de participar de megaesquema de fraudeMárcio Mercante / Agência O Dia

Segundo depoimento à Justiça, Thiago montou uma banquinha com a inscrição ‘Limpe o seu nome’, na comunidade Final Feliz, em Costa Barros. Com os documentos de pessoas com os nomes sujos, ações eram distribuídas na Justiça. Ele nega as acusações.

Até domingo, ele estava com a prisão preventiva decretada pela 25ª Vara Criminal, mas foi revogada pelo desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal: “Não mudei a minha rotina neste período. Nunca montei banquinha em lugar algum. Os líderes comunitário que gostam do meu trabalho fazem as indicações”.

A fraude seria caracterizada com os acordos extrajudiciais com empresas no valor de R$ 700 a R$ 1 mil, sem que elas verificassem a veracidade das informações. “Meu cliente nunca fez acordos nesses valores. Quem sãos os responsáveis pelos comprovantes de residências são os autores das ações. Não há responsabilidade do meu cliente. Rasgo a minha carteira da OAB se algo for comprovado”, disse o advogado Amelio Abrantes, que defende Thiago.

Advogado Thiago representa contra juiz

Para de se defender das acusações, Thiago também partiu para o contra-ataque. Ele representou contra o juiz Flávio Citro na Justiça e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). “Vamos provar que esse doutor Flávio Citro tem devaneios. Não beijo a mão de magistrado e todo mundo sabe disso”, esbravejou o advogado Amelio Abrantes.

Segundo Abrantes, Thiago também contratou um perito particular para analisar os documentos dos quatro processo nos quais ele é acusado de fraude. Ele foi denunciado pelo Ministério Público à Justiça. “A perícia que o juiz determinou que fosse feita foi com base em xerox de documentos colhidos no Instituto Félix Pacheco. Ninguém colheu o padrão da assinatura da suposta vítima. Isso não existe”, alegou.

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