Rio - O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (SindJustiça) garantiu nesta sexta-feira que recebeu seis laudos médicos de confirmação de tuberculose de funcionários do Setor de Protocolo do Tribunal de Justiça do Rio. Na edição de 8 de maio, O DIA noticiou que um funcionário do Setor de Protocolo morreu com diagnóstico da doença. Na ocasião, a presidência do TJ descartou a hipótese de surto doença.
Os exames que o sindicato afirma ter — com seis laudos de confirmação da doença — ainda não foram encaminhados à presidência, segundo um dos diretores da entidade, Alzimar Andrade Silva. Mas ele denunciou que a 3ª Vice-Presidência, órgão que faz parte da cúpula, teria proibido contato de funcionários do setor com os do protocolo para impedir a contaminação.
“Quem deu a ordem foi o diretor de pessoal da 3ª Vice-Presidência”, afirmou Alzimar. A informação foi desmentida pela presidenta do Tribunal de Justiça, desembargadora Leila Mariano: “Liguei para a 3ª Vice-Presidência e não existe essa ordem. Diariamente, o departamento médico do TJ, com o apoio, da vigilância epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, acompanha os casos”.
Segundo o tribunal há um morte causada pela tuberculose, dois funcionários afastados, três outros sob suspeita e um caso de cura da doença. Pelas contas do Sindjustiça houve dez casos, com duas mortes. “Na quarta-feira, uma funcionária voltou a trabalhar, mas estava tossindo muito, então as pessoas não sabem ainda se ela está sob o efeito da doença”, disse Alzimar.
Segundo o diretor-geral da área de saúde do Tribunal de Justiça, Carlos Ferrari, a vigilância epidemiológica dos casos está sendo feita, com base no protocolo da Secretaria de Saúde. “Já foram feitas palestras para os funcionários e faremos outras para todos os servidores”, explicou Ferrari.
Pela sala de protocolo, que fica no quarto andar do tribunal, circulam em média mais de mil pessoas por dia, sendo a maioria de advogados. A médica Analice Teixeira, da Secretaria Estadual de Saúde, pediu que os servidores fiquem atentos à possibilidade de apresentarem um quadro excessivo de tosse.
Postos de saúde estão com medicamentos reduzidos
Dados da Secretaria de Estado de Saúde, o Rio de Janeiro é o estado com a maior incidência de tuberculose no país. Apesar disso, os postos de saúde da capital estão com a quantidade de medicamentos para tuberculose reduzida. As doses, que antes supriam um mês de tratamento, estão durando uma semana ou menos. O resultado disso é que os doentes devem ir aos postos com mais frequência para pegar os remédios.
De acordo com o pneumologista e diretor do Sindicato dos Médicos, José Teixeira, este é um problema muito sério. “O doente não mora em frente ao posto, há um custo de transporte envolvido que pode desmotivar o paciente. E interromper o tratamento prematuramente dá força ao bacilo resistente, o que se defende do remédio e piora o estado clínico do paciente”, comenta.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a distribuição de dosagem menor a cada paciente se deve à redução do repasse, por parte do Ministério da Saúde, nas últimas três semanas. Para que não faltasse remédio a ninguém, as cartelas dos comprimidos foram fracionadas. A Secretaria informa que a distribuição estará regularizada no prazo de cinco dias. O Ministério vai apurar a redução no repasse.




